Cidades com predomínio de mulheres registraram crescimento maior de Lula entre o primeiro e o segundo turno

29/10/2026 03h30 Atualizado 29/10/2026 03h30 O conjunto de cidades em que há mais mulheres que homens deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Nesses locais, o petis

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Cidades com predomínio de mulheres registraram crescimento maior de Lula entre o primeiro e o segundo turno

29/10/2026 03h30 Atualizado 29/10/2026 03h30

O conjunto de cidades em que há mais mulheres que homens deu vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Nesses locais, o petista também registrou as maiores taxas de crescimento entre o primeiro e o segundo turno.

Aumento: Cidades com renda média mais alta impulsionaram virada de Lula

O levantamento cruzou os dados de votação com um indicador publicado pelo Censo 2022, do IBGE, que mostra a razão populacional entre o total de homens dividido pelo de mulheres. Quanto menor esse número, maior é o predomínio do sexo feminino na localidade.

Considerando o Brasil todo, esse indicador é de 94,2. Para a análise, a reportagem dividiu o país em seis grupos: alta predominância feminina, que inclui 82 cidades com indicador menor que 90; predominância feminina, com 825 municípios de indicador entre 90 e 95; equilíbrio com leve maioria feminina, composto por 2.042 locais com indicador entre 95 e 100; equilíbrio com leve maioria masculina, formado por 1.701 cidades com indicador entre 100 e 105; predominância masculina, que conta com 707 cidades entre 105 e 110; e alta predominância masculina, com 213 cidades de indicador maior que 110.

A maior vitória foi no grupo em que as mulheres têm maioria mais sólida, com 55,9% a 44% para Lula. O petista também venceu na maior parte (438) das 825 cidades com o indicador entre 90 e 95, apesar de, na soma de votos, Flávio ter superado o presidente nesse grupo por 51% a 49%.

No segundo turno, quanto maior a predominância de mulheres, maior foi o aumento de votação do petista em comparação com a rodada anterior. Nos dois grupos em que os homens são minoria, Lula conseguiu uma ampliação de 22% dos votos — o que resultou em 2,9 milhões e 3,8 milhões de novos sufrágios, respectivamente.

Veja a variação por perfil de cidade entre 1º e 2º turnos

Alta predominância feminina: mais 2,9 milhões de votos para Lula (crescimento de 22%) e mais 963 mil votos para Flávio (crescimento de 8%) Predominância feminina: mais 3,8 milhões de votos para Lula (crescimento de 22%) e mais 1,4 milhões votos para Flávio (crescimento de 7%) Equilíbrio com leve maioria feminina: mais 2,4 milhões de votos para Lula (crescimento de 18%) e mais 910 mil votos de Flávio (crescimento de 6%) Equilíbrio com leve maioria masculina: mais 908 mil de votos para Lula (crescimento de 13%) e mais 296 mil votos de Flávio (crescimento de 4%) Predominância masculina: mais 221 mil de votos para Lula (crescimento de 9%) e mais 38 mil votos de Flávio (crescimento de 1%) Alta predominância masculina: mais 27 mil de votos para Lula (crescimento de 6%) e menos 3 mil votos de Flávio (queda de 0,7%)

Essas constatações não significam que a clivagem de gênero tenha sido decisiva, ou mesmo a mais importante, na hora do voto, que pode ser motivado por diferentes causas. Pesquisadores têm apontado, contudo, que a divisão por sexo ganhou relevância na política brasileira a partir de 2018, com o surgimento do bolsonarismo.

Dados do Estudo Eleitoral Brasileiro (Eseb), tradicional pesquisa pós-eleição feita pelo Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop), mostram que a entrada de Jair Bolsonaro no jogo político brasileiro fez as curvas dos votos masculino e feminino se afastarem.

Entre 2002 e 2010, o PT era até mais votado proporcionalmente por eles do que por elas, com maioria significativa em ambos. Depois de um empate técnico em 2014, as mulheres passaram a ser mais relevantes para os sufrágios do partido nas últimas disputas.

Em 2018 e 2022, Fernando Haddad e Lula, respectivamente, tiveram cerca de dez pontos percentuais a mais no eleitorado feminino do que no masculino no segundo turno, a despeito de um ter perdido a eleição e o outro ter vencido.

Ainda não é possível fazer uma classificação mais precisa de como homens e mulheres votaram no último domingo, dado que ainda não há pesquisas pós-eleitorais do tipo. Na véspera do segundo turno, contudo, a Quaest mostrou que a tendência era de continuar com uma diferença significativa entre os gêneros.

Lula tinha 49% das intenções de voto entre as mulheres, contra 41% de Flávio, enquanto o filho de Bolsonaro marcava 51% no eleitorado masculino, ante 41% do petista.

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