Chuvas fazem Atacama florescer em uma das maiores florações da história

Fenômeno cobre cerca de 17 mil km² no Chile, reúne mais de 200 espécies e pode superar registros recentes em intensidade e extensão.

Por Marcelo Fradim ·

Chuvas fazem Atacama florescer em uma das maiores florações da história

Chuvas excepcionalmente intensas transformaram o Deserto do Atacama, no Chile, em um extenso campo de flores silvestres. A floração, conhecida como Desierto Florido, cobre aproximadamente 17 mil km² e reúne mais de 200 espécies de plantas.

O fenômeno ocorre no deserto não polar mais seco do planeta, onde parte da vegetação permanece adormecida no solo à espera de condições favoráveis. Neste ano, sementes, bulbos e tubérculos receberam umidade suficiente para germinar. Algumas plantas estavam dormentes havia 30 ou 40 anos, segundo pesquisadores da região.

Chuva recorde e influência do El Niño

Entre julho e agosto, algumas áreas do Chile registraram volumes de chuva de 160, 180 e até 190 milímetros. Especialistas da Corporação Nacional Florestal do Chile (Conaf) afirmaram que os índices estão entre os mais expressivos desde o início dos registros, na década de 1950.

O El Niño, associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial e a mudanças nos padrões de chuva e temperatura, foi apontado como um dos fatores que contribuíram para a precipitação acima do habitual. As chuvas causaram inundações e estragos em diferentes partes do país, mas também ativaram o chamado germoplasma do deserto — conjunto de materiais biológicos capazes de originar novas plantas.

A vegetação se espalhou por colinas, planícies e ravinas, formando áreas com flores vermelhas, amarelas, roxas, brancas e laranjas. Entre as espécies encontradas estão nanucas, beldroegas, suspiros, terciopelos e a garra de leão, uma das plantas nativas mais emblemáticas do Atacama.

Fenômeno atrai visitantes

A Conaf estima que a floração deste ano possa ser a mais intensa desde 1997, tanto pela extensão quanto pela quantidade de espécies. O episódio também impulsionou o turismo na região, com visitantes chilenos e estrangeiros viajando até áreas remotas do deserto.

A Secretaria Nacional de Turismo do Chile estima cerca de 300 mil viagens com pernoite na região até novembro, quando a floração deve terminar. A intensidade do fenômeno, porém, depende de condições ambientais específicas e varia de um ano para outro, já que a maior parte do Atacama continua submetida a um clima extremamente seco.