China diz estar disposta a seguir trabalhando com EUA após vitória democrata nas eleições de meio de mandato

A China afirmou nesta quarta-feira (4) estar disposta a continuar trabalhando com os Estados Unidos após as eleições de meio de mandato americanas, que deram aos democratas o controle das duas Casas do Congresso.

Por Admin ·

China diz estar disposta a seguir trabalhando com EUA após vitória democrata nas eleições de meio de mandato

"As eleições de meio de mandato nos EUA são um assunto interno", disse a porta-voz da chancelaria chinesa, Mao Ning, ao ser questionada sobre como Pequim avalia o resultado e se enxerga novas possibilidades na relação bilateral.

"A China está pronta para continuar trabalhando com os EUA para manter e cumprir os importantes entendimentos comuns alcançados pelos dois chefes de Estado, fortalecer a comunicação, administrar adequadamente as diferenças, ampliar a cooperação e construir uma relação construtiva de estabilidade estratégica com base no respeito, na equidade e na reciprocidade", completou, em referência aos acordos entre Xi Jinping e Donald Trump .

O Partido Democrata obteve maioria tanto na Câmara quanto no Senado no pleito desta terça. Com a apuração ainda em andamento, a legenda de oposição a Trump somava 228 das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, ante 139 dos republicanos. No Senado, os democratas já tinham assegurado ao menos 54 das 100 vagas.

Milhões de americanos foram às urnas numa votação que redesenha a correlação de forças no Legislativo até o fim do mandato de Trump. O presidente americano disse ao jornal The New Tork Times que aceitará o resultado e que está pronto para trabalhar com os democratas. "Provavelmente chegaremos a um entendimento."

A resposta morna da chancelaria chinesa não é exceção. Pequim tem histórico de evitar se envolver ou comentar o que considera assuntos internos de outros países, como eleições, e costuma reagir aos resultados com fórmulas genéricas.

Em 2022, no governo Joe Biden , o então porta-voz Zhao Lijian foi ainda mais direto. "Não vou comentar, pois as eleições de meio de mandato dos EUA são assuntos internos do país, e os resultados cabem aos eleitores americanos", disse. Sobre a relação bilateral, afirmou que a posição chinesa era "consistente e clara".

"Acreditamos que uma relação China-EUA sólida e estável atende aos interesses fundamentais dos dois povos. É também uma aspiração comum da comunidade internacional", afirmou.

Quatro anos antes, no primeiro mandato de Trump, a então porta-voz Hua Chunying usou palavras muito parecidas. "Notamos a eleição de meio de mandato que acaba de terminar nos EUA. Trata-se de um assunto interno dos EUA e não vou comentá-lo", disse.

Na mesma ocasião, Hua afirmou que a China estava pronta para trabalhar com os EUA para "administrar adequadamente as diferenças com base no respeito mútuo, ampliar a cooperação prática com base no benefício mútuo e na reciprocidade e levar as relações China-EUA na direção certa".

O padrão se repetiu após o segundo turno da eleição presidencial brasileira, em 25 de outubro, quando Lula foi reeleito presidente . No dia seguinte, o porta-voz Guo Jiakun disse que a China tomava nota do anúncio do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre a vitória do petista e o parabenizava. Questionado pela sobre o pedido de Flávio Bolsonaro (PL) para anular o resultado, limitou-se a dizer que "a China respeita a escolha do povo brasileiro" .

Um dia depois, quando Trump afirmou que a eleição no Brasil havia sido manipulada, a resposta foi praticamente a mesma. "Respeitamos a escolha independente do povo brasileiro", disse Guo.