Chilli Beans faz pedido de recuperação extrajudicial com dívida de R$ 340 milhões

Plano foi alinhado com credores e prevê aporte de até R$ 50 milhões para o processo de reestruturação

Por Admin ·

Chilli Beans faz pedido de recuperação extrajudicial com dívida de R$ 340 milhões

Itaú, Akron e Vega estão atuando como 'financiadores âncora' e coordenando a injeção de novos recursos na marca

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São Paulo A Chilli Beans, rede brasileira de óculos, relógios e acessórios, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial na noite desta sexta-feira (30) para reestruturar R$ 340 milhões em dívidas.

O plano, de acordo com comunicado da companhia, foi alinhado com credores e prevê aporte de até R$ 50 milhões para o processo de recomposição financeira. Itaú, a consultoria Akron e a gestora Vega estão atuando como "financiadores âncora" e coordenando a injeção de novos recursos na marca.

A empresa não deu detalhes sobre o que a levou ao endividamento, embora rumores sobre uma eventual reestruturação já rondassem o mercado no fim de agosto.

À época, o fundador e CEO da Chilli Beans, Caito Maia, chegou a comentar que as dificuldades financeiras da companhia tiveram início na pandemia de Covid-19 e, desde então, as contas vinham apertando.

No comunicado que anunciou o pedido de recuperação, Caito afirmou que o varejo brasileiro enfrenta "um período desafiador". Ao final do primeiro semestre de 2026, o país registrou um total de 6.341 empresas ativas em recuperação judicial , segundo a consultoria RGF, especializada em reestruturação empresarial.

Até agosto, 44 empresas estavam embricadas em recuperações extrajudiciais. A lista ganhou outro nome recentemente: a Ri Happy, líder em brinquedos no país com R$ 827,4 milhões em dívidas, teve seu pedido aprovado pela Justiça de São Paulo no dia 23 de outubro.

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O setor é sensível à economia doméstica, sobretudo à taxa Selic , em dois dígitos desde o fim da crise sanitária. O juro alto, hoje em 13,75% ao ano, aumenta o custo de financiamento, comprimindo margens e dificultando reinvestimentos. Também reduz o consumo, especialmente entre famílias de menor renda que dependem de parcelamento para comprar.

Diferentemente de uma recuperação judicial, na extrajudicial as companhias negociam dívidas diretamente com seus credores, e o Judiciário tem participação reduzida.

O processo costuma implicar em mudanças de prazos e de valores de pagamento para que a empresa reorganize suas finanças e evite a falência. Na prática, é como um acordo para mudar as condições das dívidas. Em alguns casos, esse processo é levado ao juiz apenas para homologação e validação, passando a ter força jurídica.

"Entendemos que a renegociação com credores permitirá à companhia readequar sua estrutura de capital à realidade atual do negócio, criando condições para que possa concentrar seus esforços na operação, fortalecer sua relação com franqueados e fornecedores e retomar uma trajetória de crescimento sustentável", diz Felipe Casotti, sócio da Akron Capital, um dos principais financiadores da companhia.

A rede, segundo comunicado, mantém cerca de 900 franquias no Brasil e está presente em mais de 14 países. Em outubro, abriu nove pontos de venda em território nacional e outros quatro na América Latina.

Unidades: 1.400 (entre lojas e quiosques) no Brasil e no exterior

Receita anual: R$ 1,2 bilhão (2025)

Concorrentes: Óticas Diniz, Óticas Carol, Zerezes, Livo e marcas globais, como Ray-Ban e Oakley