Francisco Eller, o Chico Chico, jamais visitou o túmulo da mãe, a cantora Cássia Eller , que morreu em 2001 e está enterrada no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Em entrevista ao videocast ' Conversa vai, conversa vem ', no ar no Youtube do Jornal OGLOBO e no Spotify, o cantor e compositor de 33 anos falou sobre as memórias que tem da mãe, que faleceu quando ele tinha 8, e de sua criação por sua outra mãe, Maria Eugênia Vieira Martins. Leia trecho:
Maria Rita esteve aqui falou sobre como era um tabu os detalhes sobre a morte da Elis Regina. Com você também foi assim? Lembra como foi quando recebeu a notícia?
Estava em Brasília, e meu tio me contou. Perguntaram se eu queria voltar pro Rio para acompanhar o enterro e lembro de não querer. Até hoje nunca fui lá no túmulo. Não sei nem porquê. Talvez, algum bloqueio, não sei, tem que tratar disso.
Tenho. Mas, engraçado, porque é algo tão presente na minha vida, que nunca parei pra pensar nisso. Escuto minha mãe diariamente. Meu disco preferido é "O marginal". Agora, com esse negócio do filme me chega muita imagem nova, que nunca teria acesso se não tivessem rodando o longa. Meus amigos sempre tocaram, convivo com pessoas que conviveram com ela. Vivi querendo ouvir histórias, sempre adorei.
Qual é a sua primeira memória musical? Numa entrevista, você me contou essas lembranças dela: Cassia botando "Yellow Submarine", do Beatles, pra tocar, lendo "Harry Potter" e te ninando com a cação infantil da machadinha...
Machadinha, que escolha peculiar ( risos ). Talvez seja essa da minha mãe botando "Revolver" , dos Beatles, para escutar. Fui embalado com o disco "Cor de rosa e carvão", da Marisa Monte, na barriga. Claro que não não lembro de nada, não tenho essa memória, mas é engraçado que tenho escutado muito um disco ao vivo que o Carlinhos Brown lançou, que tem músicas que a Marisa gravou e, de alguma maneira, aquilo está aqui...
Entrevista. Maria Rita reflete sobre trajetória, burnout e legado da mãe, Elis Regina
Qual das suas mães era mais brava? E qual passava mais a mão na sua cabeça?
Bom minha mãe foi a Eugênia, né? Mãe solteira a vida inteira, Cássia morreu eu tinha 8 anos. Mas quem me botava de castigo mesmo era a Cássia, uma palmadinha aqui e ali ( risos ).
Se pudesse, que dúvida tiraria, o que teria vontade de perguntar a ela?
O que queria ter puxado dela é essa coisa meio CDF num nível até insuportável, às vezes... de tocar o dia inteiro. Nesse sentido, tenho isso com escrever em alguma épocas. Mas isso é algo que acho fantástico: essa habilidade de passar oito horas tentando tirar a música. E minha mãe tocava muito bem violão, pandeiro, berimbau. Tudo que ela pegava, passava o dia inteiro tocando.
Pretende alterar seu nome para colocar o sobrenome de Eugênia?
Pretendo, o Vieira Martins, que é a família dela, minha família, né? Tenho muito essa vontade, é um projeto que tenho há um tempo. Esse ano não consigo porque teria que tirar outro passaporte e estou indo viajar.
Acha que o fato de ter sido criado por uma rede de mulheres... além das suas mães, tem a percussionista Lan Lanh, parceira da sua mãe e amiga delas... te tornou um homem amoroso, sem medo de mostrar afeto por outros homens, sentimentos, chorar... .
Espero que sim. Elas nunca tiveram essa trava, sempre foi tudo muito bonito no sentido das amizades, dos amores. Não tenho tempo para ficar pensando nisso, o Vasco já me preocupa demais ( risos ).
Chico Chico revela que nunca visitou o túmulo da mãe, Cássia Eller:
Francisco Eller, o Chico Chico, jamais visitou o túmulo da mãe, a cantora Cássia Eller , que morreu em 2001 e está enterrada no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Em entrevista ao videocast ' Convers