Celulares em presídios são bloqueados em até 30 minutos com novo sistema, em ações que miram facções

A facção criminosa Povo de Israel , também conhecida pela sigla PVI, tornou-se conhecida no Rio de Janeiro pela sua especialização em golpes telefônicos praticados de dentro do sistema penitenciário. No último dia 14, o grupo tornou-se o pr

Por Admin ·

Celulares em presídios são bloqueados em até 30 minutos com novo sistema, em ações que miram facções

Durante a noite e a madrugada, agentes penitenciários circularam pelo perímetro de uma das unidades onde estão presos membros da facção com um equipamento portátil que simula uma antena de telefonia, carregado dentro de uma mochila.

No monitor que reproduzia as informações captadas pela antena, técnicos da Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais) e da Seppen (Secretaria de Estado de Políticas Penais) fluminense conseguiram ver as linhas telefônicas e até o modelo dos aparelhos usados pelos presos.

Em apenas um presídio, foram identificados 143 aparelhos que haviam sido passados para dentro dos muros de forma clandestina, atribuídos à atividade da PVI. Os órgãos públicos preferiram não divulgar o nome da unidade.

Os sinais de todos os celulares identificados foram bloqueados após o órgão federal comunicar à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) os números de identificação de cada um deles. Foi a primeira vez que isso foi feito no país.

Entre o pedido de cancelamento da linha telefônica e o efetivo desligamento, o tempo é de até 30 minutos —normalmente, menos do que isso.

Antes, os pedidos de bloqueio de linhas de celular identificadas dentro de prisões só eram atendidos por determinação judicial. Dias ou semanas poderiam passar até que a decisão da Justiça viesse.

A explicação para a mudança está num decreto assinado pelo presidente Lula (PT) no dia 9 de outubro, que autoriza o desligamento de linhas identificadas dentro de cadeias por meio de atos administrativos, a partir de pedidos feitos pelas autoridades penitenciárias estaduais e federais.

Encontrar 143 celulares numa só operação, em algumas horas, é mais expressivo diante de outros números divulgados pela Senappen. De maio a setembro, operações do órgão federal no estado do Rio de Janeiro em 31 unidades prisionais, com a mobilização de mais de mil policiais, resultaram em 228 aparelhos apreendidos.

O método da varredura eletrônica seguida de comunicação das linhas rastreadas à Anatel faz com que não seja necessário encontrar os aparelhos nos esconderijos de cada cela. Após o desligamento, o celular fica inutilizado para qualquer atividade que dependa da rede móvel.