A abstenção de candidatos no primeiro dia de Enem foi de 32%. O número é maior que a da prova do ano passado, que ficou em 27%. As informações foram divulgadas na noite deste domingo (8) no Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) para divulgar um balanço sobre o primeiro dia do exame.
"Foi um dia bem desafiador. Teve questões muito difíceis", afirmou Enzo Monteli, 18. O candidato que quer estudar tecnologia da informação apontou perguntas fáceis e complexas, mas elogiou a organização e a contextualização dos enunciados.
A leitura e a interpretação também foram centrais na prova de linguagens , segundo Fabiana Vascon, coordenadora pedagógica do Poliedro Educação . A prova abordou línguas da amazônia, inteligência artificial, Lei Rouanet , ECA Digital e a presença feminina em diferentes áreas.
A prova trouxe trecho de "Menino de Engenho" acompanhado de cinco questões, no formato conhecido como testlet. Em língua estrangeira, apareceram guerras contemporâneas, imigração e voto.
A redação também chamou a atenção. A candidata Nicole dos Santos, 22, considerou o tema sobre o SUS relevante porque, segundo ela, nem todos conhecem a abrangência do sistema público de saúde. "É bem interessante a gente falar sobre a valorização dele, não só como pessoa, mas como sociedade."
Segundo Fabio Gusmão, especialista em linguagens da Geekie Educação, os cinco textos motivadores da redação reuniram referências à Constituição , dados sobre a população que depende exclusivamente do SUS em cada estado e informações sobre vacinação , transplantes e vigilância sanitária.
A coletânea também trouxe dados da ONU que apontam queda de 72% na mortalidade de crianças menores de cinco anos no Brasil desde 1990.
A candidata Sophia Duarte, 18, por sua vez, disse que não encontrou repertório que havia imaginado para desenvolver o tema. No entanto, ela espera não ter fugido da proposta. "Não foi nada do que eu estava planejando, não foi o repertório que eu tinha na minha cabeça, então eu não consegui desenvolver muito bem."
Aos 62 anos, Dargiza Fátima de Freitas prestou o Enem pela segunda vez e pretende cursar psicologia. Ela considerou a prova deste ano mais fácil do que a anterior, principalmente pela experiência. "Infelizmente eu não tive muito tempo de preparar, mas foi por meio do meu filho, que hoje faz faculdade. Com ele foi mais fácil", afirmou.
Ela disse que seu sonho é cuidar de crianças. Ela conta que cresceu no interior de Minas Gerais, em uma cidade que só oferecia turmas até o ensino fundamental. Assim como Dargisa, outras 13,8 mil pessoas com mais de 60 anos fizeram o Enem neste ano.
Em ciências humanas, apareceram temas como ditadura militar , ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), Vale do São Francisco, agronegócio , estoicismo e medo, além de referências a Aristóteles, Hobbes e Hannah Arendt.
Um texto da historiadora Lilia Schwarcz serviu de base para cinco questões. Metrô de Londres, energia solar e vestibular indígena da Unicamp também foram abordados.
A diversidade temática foi destacada por Luccas Zillig, diretor do curso pré-vestibular Oficina do Estudante. Para ele, a prova deu visibilidade a grupos historicamente pouco representados. "A prova do Enem 2026 foi uma prova muito bonita, plural, que retrata, muitas vezes, personagens invisibilizados ao longo da história", afirmou.
Bruno Ferrari, coordenador pedagógico da Filadd Brasil, afirma que a extensão dos textos não determina, por si só, a dificuldade da prova. "Um texto longo pode permitir que a leitura inicial seja aproveitada em várias respostas. O esforço depende também da complexidade dos comandos, das alternativas e das relações que precisam ser estabelecidas."
Candidatos têm impressões distintas sobre o primeiro dia do Enem 2026
Os candidatos tiveram impressões distintas sobre o primeiro dia do Enem 2026. Com questões de diferentes níveis de dificuldade e muita leitura e o tema d+a redação, sobre "a valorização do SUS (Sistema Único de Saúde ) como direito universal", houve quem consi