Canabis, toxicidade tardia

Como nas duas colunas anteriores, a de hoje se refere aos efeitos indesejáveis da maconha . Volto a dizer que o objetivo não é condenar ou defender o uso —questão individual—, mas explicar quais são os riscos associados a ele. Na última c

Por Admin ·

Canabis, toxicidade tardia

Como nas duas colunas anteriores, a de hoje se refere aos efeitos indesejáveis da maconha .

Volto a dizer que o objetivo não é condenar ou defender o uso —questão individual—, mas explicar quais são os riscos associados a ele.

Na última coluna, falamos dos efeitos imediatos; a de hoje será sobre os que podem surgir a longo prazo .

A fumaça tragada reduz o número de células dotadas de cílios na mucosa dos brônquios (essenciais para eliminar as secreções) e aumenta a proporção de células produtoras de muco.

Como consequência, tosse, expectoração e chiado no peito são os sintomas mais frequentes com o passar dos anos. Mas falta de ar, como aquela provocada pelo cigarro comum, não é mais prevalente que nos não fumantes.

Um estudo com mil participantes revelou que esses sintomas são reversíveis com a abstinência.

2 – Doença pulmonar obstrutivo-crônica (DPOC)

Embora nos fumantes de maconha pareça não haver aumento do risco de desenvolver DPOC, neles há um declínio mais pronunciado da função pulmonar que entre os não fumantes. Esse declínio é mais lento que no uso do cigarro comum.

A perda de cílios e o aumento de células secretoras de muco na mucosa brônquica comprometem as defesas locais e aumentam o risco de pneumonias e de outras infecções respiratórias.

Um dos sinais mais claros de intoxicação aguda pelo THC é a taquicardia. Homens na faixa dos 50 anos com história de infarto de miocárdio podem apresentar as dores no peito características da angina ao fumar maconha, ainda que ocasionalmente.

Um estudo com 1.913 adultos revelou que fumar maconha regularmente, mas menos de uma vez por semana, aumenta 2,5 vezes o risco de infarto. Nos que fumam uma ou mais vezes por semana, o risco aumenta 4,2 vezes. Entretanto, nessa coorte, acompanhada por 18 anos, não houve aumento da mortalidade.

Os dados mostram que os infartos costumam ocorrer mesmo na ausência de placas nas coronárias, achados sugestivos de que são os espasmos vasculares os responsáveis pela interrupção do fluxo coronariano.

Faltam estudos, mas há relatos de AVC isquêmico em jovens na faixa dos 30 anos ou menos, em que o único fator de risco identificado foi fumar maconha. O mecanismo estaria ligado às variações da pressão arterial, às crises de hipotensão postural e aos vasoespasmos; as alterações desaparecem depois de 3 a 6 meses de abstinência.