Caminhar reduz fadiga em pessoas com câncer colorretal, indica estudo

A caminhada regular está associada à redução da fadiga e à melhora da qualidade de vida em pacientes com câncer colorretal , mostra um estudo publicado no Journal of the National Comprehensive Cancer Network. Os resultados reforçam os benef

Por Admin ·

Caminhar reduz fadiga em pessoas com câncer colorretal, indica estudo

Embora sociedades médicas nacionais e internacionais, como a Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), recomendem que pacientes se mantenham fisicamente ativos, pesquisadores da Cedars-Sinai Health Sciences University, nos Estados Unidos, queriam investigar quais atividades e intensidades se associam a melhores resultados.

Para isso, usaram informações relatadas por mais de 1.700 pacientes sobre as diferentes modalidades e intensidades praticadas. Os voluntários foram monitorados em vários momentos ao longo de dois anos: no diagnóstico, antes da cirurgia e depois em intervalos de seis, 12 e 24 meses.

A caminhada foi a atividade mais fortemente associada à melhora da qualidade de vida e à redução da fadiga entre pacientes com doença não metastática. A prática esteve relacionada a uma redução de 22% no risco de fadiga após seis meses e de 26% após um ano, segundo os pesquisadores.

"Vemos todos os dias que pessoas que caminham ou se exercitam vivem mais e melhor. Isso é importante, porque a caminhada é livre, democrática e acessível. A pessoa pode começar quando quiser, sem necessidade de nenhum aparelho ou tecnologia", diz o oncologista Rodrigo Fogace, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.

O resultado revela ser preferível fazer uma atividade leve, mas sustentável e contínua, do que algo intenso poucas vezes por semana. "Até porque atividades moderadas e vigorosas dependem da capacidade do paciente, e o mais importante é manter a atividade a longo prazo, com uma rotina consistente", frisa Fogace.

A fadiga é uma das principais queixas dos pacientes com câncer, chegando a afetar até 90% daqueles que passam por quimio ou radioterapia. Desses, quase metade (40%) reporta se sentir cansado mesmo anos após o tratamento. "Ela difere do cansaço simples do dia a dia, em que nos recuperamos após dormir ou descansar", destaca o oncologista. "Nesses pacientes, o cansaço é desproporcional ao esforço, ou seja, atividades simples podem levar a cansaços grandes que, muitas vezes, não melhoram ou melhoram somente parcialmente com repouso."

Há vários fatores por trás desse efeito, mas os principais são a resposta inflamatória à quimioterapia e à própria doença. Esses fatores inflamatórios em circulação fazem com que os pacientes sintam menos disposição, mais fadiga, menos apetite, maior propensão à dor e até à depressão. "Além disso, o tratamento oncológico pode levar à anemia, alteração do sono e da capacidade funcional, enfim, tudo que piora esse quadro de cansaço extremo", diz Rodrigo Fogace. Além de física, a fadiga também pode ser mental. "É comum pacientes falarem que estão cansados de pensar, com dificuldade de concentração, de ler um livro", exemplifica.

A atividade física atenua esses mecanismos inflamatórios, aliviando os sintomas. Sem contar que mantém a massa muscular, frequentemente reduzida nesses pacientes, melhora a qualidade do sono, reduz ansiedade e depressão. "Não se trata somente de melhorar o condicionamento físico, mas sim de uma intervenção simples que pode atuar em vários mecanismos diferentes envolvidos na fadiga e na qualidade de vida", pontua o médico do Einstein em Goiânia.

O ideal é que pacientes consigam seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que preconiza cerca de 150 minutos de exercícios semanais, incluindo atividade aeróbica moderada e, se possível, musculação cerca de duas vezes por semana.

Para aqueles que nunca tiveram o hábito de se exercitar, vale lembrar que não é necessário iniciar com grandes volumes de exercício. "Uma caminhada inicial de 5 a 10 minutos, conforme tolerância, já ajuda muito e pode ser aumentada progressivamente conforme os dias e a disposição", orienta o oncologista. No entanto, essas orientações precisam ser individualizadas, devendo respeitar os limites de cada um. Além disso, algumas doenças podem dar metástases em ossos, com maior risco de fratura, exigindo uma avaliação prévia.

"Cada paciente tem uma realidade, uma motivação, e só consigo auxiliá-lo se entender exatamente seu quadro", diz Rodrigo Fogace. "A grande mensagem é que não devemos encarar o paciente em tratamento oncológico como frágil. Ele precisa de maior atenção, mas necessita de exercícios como qualquer outra pessoa, ou até mais."