A possibilidade de adoção do voto distrital misto pode inaugurar uma agenda positiva no aperfeiçoamento do sistema eleitoral e partidário.
Antes de embarcarmos em perspectivas otimistas, é preciso conferir se não se trata apenas de uma reação momentânea a votações de deputados em números equivalentes e até superiores aos obtidos em eleições majoritárias.
Ao que parece, desenha-se, de fato, um casuísmo, tendo em vista a pressa do presidente da Câmara, Hugo Motta ( Republicanos -PB), em aprovar a mudança nos menos de dois meses que restam à atual legislatura, até meados de dezembro.
O prazo exíguo indica a ideia de se fazer uma alteração dessa magnitude no sistema de representação por acertos entre cúpulas partidárias, sem a participação dos representados, os primeiros interessados em entender direito o novo mecanismo para a escolha de deputados.
É uma discussão antiga que remonta à Constituinte e que de lá para cá foi tentada várias vezes sem sucesso. Congressistas eleitos por regras em vigor têm enorme resistência em mudá-las por receio de pôr em risco a sobrevivência nos respectivos mandatos.