Bruno Gagliasso participa da soltura de loba-guará, a primeira monitorada no RJ

Apesar de ter ganhado visibilidade na última terça-feira (20/10), a operação aconteceu em 8 de outubro, em uma f azenda na zona rural de Paraíba do Sul , próxima ao Rancho da Montanha , propriedade do casal. Antes de recuperar a liberdade,

Por Admin ·

Bruno Gagliasso participa da soltura de loba-guará, a primeira monitorada no RJ

Apesar de ter ganhado visibilidade na última terça-feira (20/10), a operação aconteceu em 8 de outubro, em uma f azenda na zona rural de Paraíba do Sul , próxima ao Rancho da Montanha , propriedade do casal. Antes de recuperar a liberdade, Membeca recebeu um colar eletrônico que permite aos pesquisadores acompanhar seus deslocamentos e estudar seu comportamento na natureza.

Com aproximadamente dois anos e meio, a jovem fêmea passou por avaliações veterinárias até ser considerada apta a caçar e sobreviver sem assistência humana. A recuperação contou com profissionais da associação APA Petrópolis , da clínica ZooVet , de Juiz de Fora, e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Desde então, Membeca já percorreu diferentes áreas da região serrana e seguiu em direção a Minas Gerais. Segundo o biólogo Rogério Cunha, do ICMBio, o animal ainda procurava um território definitivo até a última atualização, divulgada em 20 de outubro. O monitoramento permitirá acompanhar essa adaptação e identificar quais ambientes são utilizados pela espécie.

Devolver Membeca à natureza exigiu mais do que encontrar uma área preservada. Os especialistas escolheram uma região a aproximadamente 50 quilômetros do ponto de resgate , em um local autorizado para a soltura de animais silvestres.

A decisão levou em conta o comportamento territorialista dos lobos-guará. Rogério Cunha explica que indivíduos da espécie podem entrar em confrontos fatais ao disputar espaço. Por isso, a presença de outros animais precisava ser considerada antes da operação.

A idade de Membeca também influenciou a escolha. Com cerca de dois anos e meio, ela está na fase em que os jovens deixam suas áreas de origem para procurar um território próprio. A expectativa dos pesquisadores era que a f êmea reconhecesse os sinais deixados por outros lobos e evitasse confrontos enquanto procurava um lugar para se estabelecer.

O acompanhamento de Membeca também permitirá investigar como os lobos-guará sobrevivem em áreas modificadas pela atividade humana . Segundo Rogério Cunha, parte das paisagens percorridas pela fêmea passou por transformações, com a substituição de antigas florestas por pastagens.

Os pesquisadores querem identificar quais ambientes a espécie utiliza, onde encontra alimento e quais ameaças enfrenta nesses territórios. Os dados coletados pelo colar eletrônico poderão contribuir para essa análise, especialmente após a loba escolher uma área para se estabelecer.

Rogério também pretende desenvolver um projeto para acompanhar outros lobos-guará encontrados na região. A iniciativa ajudaria a reunir informações sobre a presença desses animais na paisagem fluminense e os desafios enfrentados por eles fora das áreas de vegetação preservada.

O acompanhamento de Membeca também ganha importância diante da situação do lobo-guará no Brasil. O animal está classificado como vulnerável à extinção , segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ( ICMBio ). Entre as principais ameaças estão a perda de ambientes naturais, os atropelamentos e o contato com animais domésticos.

Esses riscos ajudam a explicar por que a sobrevivência de Membeca não depende apenas de sua capacidade de caçar . Depois da soltura , a jovem fêmea precisa encontrar um território onde consiga se alimentar e circular, em uma região que reúne áreas preservadas e paisagens modificadas pela atividade humana.

O monitoramento permitirá observar parte desse processo. Ao registrar os deslocamentos da loba e os locais onde ela permanece, os pesquisadores poderão reunir informações sobre os ambientes utilizados pela espécie. Os dados também poderão contribuir para futuras estratégias de conservação , embora ainda seja cedo para concluir como Membeca vai se adaptar definitivamente à região.