A iniciativa pretende acelerar a substituição dessas fontes por alternativas menos poluentes, como energia solar e eólica, e ajudar os países a cumprir compromissos internacionais de redução das emissões de gases de efeito estufa.
A mudança é importante porque o setor de energia responde por 75% das emissões globais , segundo a Presidência da COP30. Reduzir esse impacto é fundamental para conter o aumento das temperaturas e limitar os riscos associados a secas , ondas de calor e chuvas extremas.
O documento também procura enfrentar um desafio econômico: garantir que a substituição dos combustíveis fósseis aconteça sem comprometer o abastecimento de energia ou provocar oscilações bruscas nos preços.
O roteiro apresentado pelo Brasil orienta os países a analisar quanto dependem dos combustíveis fósseis e quais alternativas estão disponíveis para substituí-los. A proposta reconhece que cada nação possui condições econômicas e energéticas diferentes.
Para auxiliar nesse processo, foi apresentado o Índice de Prontidão para a Transição de Belém , que avalia produção, consumo de energia e condições econômicas. A ferramenta busca ajudar governos a identificar dificuldades e definir prioridades.
O plano também propõe uma agenda de cooperação internacional até 2033, com participação de governos e diferentes setores. O objetivo é transformar compromissos climáticos já assumidos em políticas públicas e investimentos.
A substituição dos combustíveis fósseis encontra respaldo no avanço das fontes renováveis. Segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena), 91% da nova capacidade renovável de grande porte instalada em 2024 apresentou custos de geração inferiores aos das alternativas fósseis novas mais baratas.
O levantamento considera o custo de produzir eletricidade , e não o valor final pago pelos consumidores. Ainda assim, mostra que fontes como solar e eólica já conseguem competir economicamente com tecnologias convencionais em diferentes mercados.
O desafio é fazer com que essa expansão substitua efetivamente o consumo de petróleo, carvão e gás. Para isso, o roteiro brasileiro defende que a redução da produção de combustíveis fósseis acompanhe a queda da demanda, evitando escassez e instabilidade nos preços .
Apesar da dimensão internacional, o plano não estabelece metas obrigatórias para os governos. Os documentos foram apresentados pela Presidência da COP30 como orientações voluntárias, sem constituir um novo acordo climático.
A proposta foi desenvolvida após a conferência realizada em Belém, em 2025, quando não houve consenso para incluir um roteiro de afastamento dos combustíveis fósseis na decisão final. O novo documento procura orientar a implementação de compromissos anteriormente assumidos.
O próximo desafio será transformar essas orientações em decisões nacionais. A transição energética dependerá de investimentos, expansão de alternativas menos poluentes e políticas que preservem o acesso da população à energia . Sem medidas concretas dos governos, o roteiro brasileiro não garante, por si só, a redução das emissões.