Bolsas do Japão têm maior queda desde tarifas de Trump; Coreia do Sul aciona circuit breaker

As ações japonesas registraram nesta sexta-feira (6) sua maior queda em um único pregão desde que Donald Trump anunciou as tarifas do chamado "Dia da Libertação", em abril de 2025. Na Coreia do Sul , a forte queda das ações de empresas de t

Por Admin ·

Bolsas do Japão têm maior queda desde tarifas de Trump; Coreia do Sul aciona circuit breaker

O Nikkei 225, índice concentrado em empresas de tecnologia, e o Topix, que reúne ações de diferentes setores, fecharam em queda de quase 6% em uma sessão descrita por operadores do mercado em Tóquio como um "verdadeiro massacre". Já o principal índice sul-coreano, o Kospi, caiu 8,5%, ficando abaixo dos 5.000 pontos, ocasionando o circuit breaker .

Com as perdas, o Nikkei 225 passou a acumular recuo superior a 20% em relação ao pico registrado em junho, entrando em território de mercado de baixa (bear market).

"Muitas pessoas estão ultrapassando os limites de risco estabelecidos para suas posições em empresas de tecnologia", afirmou Prashant Bhayani, diretor de investimentos para a Ásia do BNP Paribas Wealth Management. "Nos acostumamos a um ambiente de volatilidade muito baixa, mas isso claramente chegou ao fim."

Empresas ligadas à inteligência artificial, como a SoftBank, investidora da OpenAI , e a fabricante de chips de memória Kioxia, estiveram entre as mais atingidas, acompanhando perdas semelhantes em Wall Street. Na quinta-feira (5), o índice Nasdaq 100 fechou em queda de 6,4%, eliminando mais de US$ 3 trilhões (R$ 16,5 trilhões) em valor de mercado das ações americanas.

Analistas afirmaram que a onda de vendas foi desencadeada por preocupações de que as vitórias democratas em estados importantes dos Estados Unidos nas eleições de terça-feira (3) resultem em uma regulação mais rigorosa da inteligência artificial e dos data centers. O cenário ampliou os temores de que a forte valorização das ações de tecnologia esteja prestes a passar por uma correção.

"O que estamos vendo é o efeito do desmonte rápido de posições concentradas demais em investimentos", afirmou o chefe de operações de uma instituição financeira internacional em Tóquio. "A aposta na inteligência artificial estava extremamente concentrada entre os investidores e, mesmo depois de todas essas vendas, ainda é possível dizer que continua bastante disputada."

A Coreia do Sul, que se beneficiou da forte demanda por chips de memória destinados a data centers de inteligência artificial, também foi atingida pela onda de vendas nesta sexta-feira (6). As ações de fabricantes de semicondutores despencaram diante dos temores de que a vitória expressiva dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos possa desacelerar a expansão dos data centers.

A Samsung Electronics e a SK Hynix, as duas maiores fabricantes de chips de memória do mundo e responsáveis, juntas, por metade da composição do Kospi, recuaram 9,9% e 11,7%, respectivamente. Os investidores temem que a demanda pelos produtos das empresas diminua caso as grandes companhias de tecnologia que operam data centers em larga escala reduzam os gastos com novas estruturas de inteligência artificial.

Ao fim do pregão, o Kospi registrou queda de 6% e passou a acumular recuo superior a 40% em relação ao pico de junho.

A primeira-ministra do Japão , Sanae Takaichi, afirmou nesta sexta-feira (6) que o governo estava "acompanhando atentamente os acontecimentos".

Ela disse a jornalistas que ainda era difícil determinar se a onda global de vendas de ações de empresas de semicondutores e inteligência artificial seria temporária "ou poderia persistir".

O Japão tem sido um dos principais destinos de fundos globais interessados em aproveitar o boom de investimentos em inteligência artificial em mercados fora dos Estados Unidos.

As ações da SoftBank, cujo fundador, Masayoshi Son, é um dos mais entusiasmados defensores da inteligência artificial na Ásia e investiu pesadamente na OpenAI, caíram quase 11% nesta sexta-feira (6). As ações acumulam desvalorização próxima de 60% em relação ao pico de junho.

A fuga generalizada de ativos de risco também provocou forte procura por títulos da dívida pública japonesa. Com isso, os rendimentos das ações com vencimento em dez anos recuaram 0,14 ponto percentual, para 2,63%.

Apesar das quedas registradas nesta sexta (6), Albert Yong, sócio-diretor da gestora de fundos de hedge Petra Capital Management, sediada em Seul, disse não esperar uma redução significativa nos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.

"Os grandes provedores de serviços de computação em nuvem podem recorrer a outros estados americanos ou países para construir data centers", afirmou. "Diante da disputa dos Estados Unidos com a China pela liderança em inteligência artificial, é improvável que reduzam significativamente seus planos de expansão da infraestrutura de IA."