Binyamin Netanyahu pode ter ganhado o Oriente Médio, mas perdeu o mundo

Os israelenses estão a poucos dias de escolher seu próximo governo. O bloco de oposição, liderado por Gadi Eisenkot , ex-chefe das Forças Armadas de Israel , tinha uma vantagem modesta nas pesquisas. Mas a eleição transcorreu nos termos do

Por Admin ·

Binyamin Netanyahu pode ter ganhado o Oriente Médio, mas perdeu o mundo

Os principais líderes do bloco de oposição aceitaram, em aspectos cruciais, a visão de mundo de Netanyahu —e chegaram até mesmo a se posicionar à direita dele. Eisenkot jurou se opor à criação de um Estado palestino e disse que acabaria com o domínio do Hamas sobre a Faixa de Gaza em até um ano e seis meses, por meios militares, se necessário.

Yair Lapid afirmou que Netanyahu não foi longe o suficiente ao bombardear a infraestrutura energética do Irã . Naftali Bennett chamou a Turquia de "o novo Irã " e descreveu o Qatar como um Estado inimigo. Avigdor Lieberman defendeu o desmantelamento da Autoridade Palestina .

Todos os principais líderes do bloco, com exceção do esquerdista Yair Golan, descartaram incluir partidos árabe-israelenses em sua coalizão. Netanyahu pode perder, mas apenas porque seus adversários aceitaram de forma tão plena suas premissas.

A maioria dos judeus israelenses agora enxerga o mundo como Netanyahu há muito o enxerga. Essa é a grande vitória do premiê. Mas ela é acompanhada por sua grande derrota: boa parte do mundo agora vê Israel como os palestinos em Gaza o veem.

Nesse sentido, não foi apenas Netanyahu que alcançou muito do que buscava, mas também Yahya Sinwar , o líder do Hamas que planejou os ataques de 7 de outubro de 2023 e foi morto em 2024 . Para seus povos, os êxitos de ambos foram catastróficos.

Vale retomar o que eles buscavam e o que obtiveram: antes do 7 de Outubro, Bibi havia passado anos sustentando o Hamas com dinheiro do Qatar . Isso era amplamente entendido como uma estratégia para manter os palestinos divididos e frustrar a pressão internacional para que Israel permitisse a criação de um Estado palestino.

Impedir a criação desse Estado há muito era uma das realizações de que o premiê mais se orgulhava.

" Não haverá um Estado palestino a oeste do rio Jordão ", disse ele. "Durante anos, impedi a criação desse Estado terrorista, apesar de uma enorme pressão, tanto interna quanto externa. Fizemos isso com determinação e habilidade diplomática. Além disso, dobramos o número de assentamentos judaicos na Judeia e Samaria [ como israelenses que negam a existência da Cisjordânia se referem ao território] e continuaremos nesse caminho."