Mas a velocidade que impressiona na capital federal é a do avanço imobiliário. Entre 2010 e 2022, Brasília teve um crescimento populacional de 9,6%, enquanto o número de domicílios avançou 49,2%, segundo dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social cruzados a partir dos números do Censo.
A discrepância reflete a mentalidade que mira mais concreto do que gente. O Brasil tem um déficit habitacional de 5,7 milhões de domicílios, segundo dados de 2024 da Fundação João Pinheiro e do Ministério das Cidades.
"Definitivamente, não é o mercado que vai solucionar a questão da moradia", disse o arquiteto Fernando de Mello Franco, na 14ª Bienal Iberoamericana de Arquitetura e Urbanismo , que aconteceu nesta semana, em Brasília.
"É preciso pensar em novas formas de financiamento e de gestão de espaços que são continuidades do espaço doméstico, onde a vida em comum acontece", afirma Mello Franco.
Brasília recebeu, no recém-restaurado Teatro Nacional e no antigo prédio do Touring Club do Brasil, projeto por Oscar Niemeyer, a Bienal de Arquitetura , sob o lema "cuidar da vida".
E as seis obras que foram premiadas pelo júri colocam o cuidado com as pessoas no centro.