Batalha por mapas eleitorais nos EUA dá vantagem a Trump que pode não virar vitória

O presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , e seus aliados venceram a batalha para redesenhar os mapas eleitorais em vários estados , dando aos republicanos condições favoráveis de vitória em nove distritos a mais do que os democratas.

Por Admin ·

Batalha por mapas eleitorais nos EUA dá vantagem a Trump que pode não virar vitória

O pleito legislativo vai renovar toda a Câmara dos Representantes , cujos eleitos representam distritos eleitorais, subdivisões territoriais dentro dos estados que são manipuladas por partidos majoritários para ampliar as chances de vitória de seus candidatos locais —prática conhecida como "gerrymandering".

Os mapas deveriam ser reavaliados a cada dez anos, a partir dos dados de novos censos nacionais. Isso porque a ideia de um distrito eleitoral é que cada deputado represente, em todos os 50 estados, um número semelhante de eleitores. Como a distribuição espacial da população muda com o tempo, os redesenhos têm por objetivo resolver eventuais distorções.

Alterações fora desses períodos decenais, no entanto, têm sido comuns e foram intensificadas sob Trump. A batalha começou ainda em 2025 , quando o presidente e aliados no Texas, governado pelo Partido Republicano, que também tem maioria no Legislativo estadual, sugeriram alterar o mapa de distritos, diluindo áreas com mais eleitores democratas em novos distritos de maioria republicana.

Logo em seguida, democratas da Califórnia, estado tradicionalmente inclinado ao Partido Democrata e governado por Gavin Newsom, possível candidato à Presidência, propuseram sua própria alteração para neutralizar os possíveis ganhos republicanos no Texas —os dois são os estados mais populosos do país.

Vários estados, então, passaram a tentar alterar seus mapas, com obstáculos legislativos e judiciais a depender da oposição rival, de leis estaduais mais rígidas sobre o tema ou de decisões da Suprema Corte permitindo ou bloqueando as mudanças.

Uma das decisões mais consequentes nesse sentido ocorreu em abril. A ordem da Suprema Corte que vetou a tentativa de mudança da Louisiana limita a Lei dos Direitos de Voto e, na prática, permite que os estados usem a composição racial da população como critério válido para redesenhar os distritos —uma vitória para Trump, já que a população negra costuma votar mais em democratas e poderia ser diluída em distritos de maioria branca.

O "gerrymandering" republicano resultou em 15 distritos eleitorais nos quais a expectativa é de vitória fácil para o candidato do partido ao Congresso, em sete estados diferentes: Texas, Louisiana, Tennessee, Alabama, Flórida, Carolina do Norte e Ohio. Por outro lado, os democratas redesenharam os mapas na Califórnia e em Utah, para um total de seis distritos mais favoráveis. Em seis estados o processo foi barrado politicamente ou na Justiça (Missouri, Indiana, Nova York, Maryland, Virgínia e Carolina do Sul).

O cenário não é tão bom quanto parece para os republicanos, no entanto, e o redesenho que aumenta levemente a margem do partido pode não significar vitória.

Segundo análise do jornal The New York Times, 204 distritos têm alta probabilidade de elegerem democratas, contra 181 para os republicanos —para maioria simples, bastam 218 deputados. Além deles, 16 se inclinam aos democratas, e 17, aos republicanos; outros 17 têm resultado imprevisível.

Neste ponto mora o problema do partido do presidente: desses 17 imprevisíveis, 16 registraram vitória de Trump na eleição de 2024 (10 deles por margem de dois dígitos), e 7 são representados atualmente por deputados republicanos. Isso significa que seriam disputas consideradas mais fáceis para o partido, mas têm chance razoável de resultar em uma avalanche democrata.

As hipóteses para esse cenário passam pelo recorde negativo de aprovação do próprio presidente e por mudanças em partes do eleitorado; a principal delas, o voto latino.

Tradicionalmente mais próximo dos democratas, o eleitor hispânico surpreendeu em 2024 ao equilibrar essa balança em favor de Trump. Desde então, no entanto, em meio ao aumento do custo de vida e à campanha agressiva do republicano contra imigrantes, esse apoio tem recuado.

Pesquisa da NBC News e da Telemundo sugere que 59% do eleitor latino prefere um Congresso de maioria democrata, ante 35% para os republicanos. Em 2024, pesquisas de boca de urna indicavam 46% de voto em Trump, contra 51% para Kamala Harris , o que mostra um distanciamento.

Esse grupo social é particularmente forte em estados como o Texas e a Flórida, onde estão concentrados os esforços de redesenho de mapas eleitorais dos republicanos.

A pesquisa indica ainda que apenas 27% desse eleitorado aprova a performance de Trump. Outros levantamentos, como o Reuters/Ipsos, indicam que o eleitorado geral desaprova a gestão do presidente republicano em níveis recordes, pouco acima de 30%.

Além disso, pesquisa Gallup realizada neste mês mostra que, pela primeira vez desde 1994, menos da metade dos eleitores (43%) acham que o deputado de seu distrito merece ser reeleito —um problema adicional para os republicanos, hoje com a maioria do Congresso.