A decisão do colegiado do Banco Central foi unânime e veio em linha com a expectativa da maioria dos economistas . A aposta pelo fim do ciclo de queda da Selic ganhou força na última semana após a piora no cenário econômico doméstico.
Às vésperas do encontro, 24 analistas consultados pela agência Bloomberg apostavam na manutenção dos juros e 5 projetavam novo corte de 0,25 ponto percentual, o sexto seguido.
Com a credibilidade do BC na berlinda, essa reunião do Copom era vista pelos agentes econômicos como a mais delicada sob a gestão de Gabriel Galípolo , que assumiu o comando da autoridade monetária em janeiro de 2025.
A queda acumulada no processo de flexibilização da Selic, iniciado em março, foi de 1,25 ponto percentual. Ao todo, foram cinco cortes consecutivos de igual intensidade, 0,25 ponto percentual, depois de a taxa básica ter ficado durante nove meses parada em 15% ao ano.
A pausa no ciclo de queda ocorre agora com os juros no menor nível desde março de 2025, quando estavam estacionados em 13,25% ao ano.
O controle da inflação se tornou mais desafiador para o BC desde o último encontro do Copom, em setembro, com a piora no ambiente doméstico. A incerteza sobre o rumo da política fiscal no governo Lula 4 é um dos principais riscos no radar dos economistas, que temem também a indicação de nomes heterodoxos para as vagas desocupadas no BC .
Pesa também a elevação dos prêmios de risco –rentabilidade adicional exigida pelos investidores para aplicar dinheiro no Brasil–, com estresse nos juros futuros, e a depreciação da taxa de câmbio, com a maior alta semanal do dólar em 18 anos .
Em setembro, a cotação da moeda americana usada pelo Copom em seus cálculos para projeção de inflação foi de R$ 5,15.
Sem ajuda do cenário externo –também desfavorável, com alta dos preços de petróleo –, as expectativas de inflação para os próximos anos se distanciaram ainda mais da meta.
Conforme os dados do boletim Focus , o primeiro coletado após o resultado eleitoral, as projeções dos economistas para o IPCA de 2027 e 2028 chegaram a 4,76% (acima do teto) e 4%, respectivamente. Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o BC toma suas decisões tendo na mira o segundo trimestre de 2028.
O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido pela autoridade monetária quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora desse intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
No acumulado de 12 meses até setembro, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou a 4,58%, rompendo o teto da meta de inflação perseguida pelo BC. A projeção mediana no Focus para este ano é de 5,22%.
O Copom volta a se reunir nos dias 8 e 9 de dezembro, no último encontro do ano. Sete das oito reuniões de 2026 tiveram quórum reduzido, com desfalque de dois diretores.
Banco Central mantém Selic em 13,75% ao ano e interrompe ciclo de cortes de juros após choque eleitoral
O Copom (Comitê de Política Monetária) manteve nesta quarta-feira (4) a taxa básica de juros inalterada em 13,75% ao ano e interrompeu o ciclo de cortes da Selic frente à turbulência nos mercados, na primeira reunião após a reeleição do presidente Luiz Inácio