O Gulfstream G400 , matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly S.A., aterrissou no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka. Flávio, sua mulher e suas duas filhas desembarcaram da aeronave minutos depois do pouso.
O senador, a mulher, Fernanda, e as duas filhas entraram na Argentina às 22h50 de terça pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, segundo a Direção Nacional de Migrações do país. Ele usou um passaporte italiano, e as três, documentos brasileiros.
Os quatro não passaram por posto de controle da Polícia Federal ao deixar o Brasil, já que não há essa exigência para a saída de brasileiros por fronteira seca.
De acordo com as autoridades argentinas, a família teria embarcado pouco depois, às 23h30, em um voo privado da Baires Fly com destino a Guayaquil. Segundo o piloto Mauro Mattosinho, trata-se do mesmo avião em cuja lista de passageiros constaria o nome de Flávio na véspera.
O piloto afirma que o senador não apareceu no horário previsto para o embarque e que a aeronave permaneceu na pista até cerca de 0h20 de quarta, quando decolou.
O Gulfstream tem autonomia para chegar aos Estados Unidos em rota direta para o norte, mas teria feito um trajeto alternativo, que evita o espaço aéreo brasileiro e consome mais combustível. O avião pousou no Equador pouco antes das 6h e, por volta das 8h30, já sobrevoava o Panamá rumo à Flórida.
Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, afirmou nesta quarta que Flávio dará entrevista coletiva em Miami na quinta (29). "Tenho visto muitas notícias falsas e desencontradas na imprensa nas últimas horas. Algumas, atribuídas inclusive a autoridades estrangeiras. O que posso dizer neste momento é que @FlavioBolsonaro está bem, em segurança e descansando com a família", declarou.
O presidente Donald Trump disse na noite de terça que aprovaria a entrada do senador nos Estados Unidos, mas que não sabia onde o aliado estava. "Ouvi dizer que ele estava na Argentina, mas não sei onde está agora", afirmou. "Mas eu certamente me aproximaria bastante dele."
Mais cedo, uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à Folha que o governo americano concederá vistos a Flávio e aos familiares, autorizando a entrada e a permanência no país.
O coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), também disse na terça desconhecer o paradeiro do candidato. Aliados acreditavam que ele teria ido aos Estados Unidos em busca de asilo.
No domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a PF cancelasse os passaportes brasileiros de Flávio e que o senador entregasse qualquer passaporte estrangeiro, o que ele não fez. A polícia informou Moraes do descumprimento.
Não havia ordem de prisão ou medida semelhante contra o senador, e a PF não o monitorava quando ele deixou sua residência em Brasília. A partir de fevereiro, quando termina seu mandato, Flávio enfrentará dois inquéritos criminais sem foro especial.