Aumento do consumo de energia de Itaipu pelo Paraguai deve pressionar preços no Brasil, diz Itaú BBA

O aumento do consumo pelo Paraguai da energia gerada pela usina hidrelétrica de Itaipu deve pressionar os preços da energia no Brasil, principalmente ao diminuir a oferta disponível para o sistema elétrico brasileiro no fim da tarde, afirma um relatório do Ita

Por Admin ·

Aumento do consumo de energia de Itaipu pelo Paraguai deve pressionar preços no Brasil, diz Itaú BBA

Esse cenário tende a aumentar a geração termelétrica durante o pico do fim de tarde, favorecendo empresas como a Eneva, e beneficiar os geradores hidrelétricos que escolhem deixar energia descontratada em seus portfólios para aproveitar janelas de preços altos, como Axia, Copel, Auren e Engie, disse o banco.

Pelo Tratado de Itaipu, Brasil e Paraguai têm cada um direito a metade da energia gerada pela hidrelétrica binacional de 14 gigawatts (GW), sendo que o outro lado pode adquirir a parcela não utilizada.

Historicamente, o Brasil usa toda sua parcela de Itaipu e ainda compra o excedente do Paraguai, que tem um consumo de energia menor. Mas esse cenário vem mudando nos últimos anos, com a carga do lado paraguaio aumentando, impulsionada por atividades como mineração de criptomoedas e data centers.

A demanda de energia do Paraguai avançou entre 12% e 18% ao ano de 2023 a 2025, atingindo uma carga média de 3,3 GW em 2025, ante um crescimento médio anual de 12% desde 2021, segundo o BBA. Quase toda a demanda é atendida por Itaipu, embora essa participação possa oscilar, a depender da estratégia comercial e operacional da Ande, estatal de energia do Paraguai.

Um dos problemas desse aumento de carga no país vizinho é que o pico por lá ocorre às 18h, mesmo horário do observado no Brasil, observou o banco.

"Entre abril e setembro, o pico de carga do Paraguai ocorre às 18h, coincidindo com o pico de carga líquida do SIN (sistema brasileiro). A demanda da Ande nesse horário deverá crescer de 4,0 GW em 2026 para 4,7 GW em 2029, reduzindo a energia de Itaipu disponível para o Brasil justamente no momento em que o sistema mais necessita dela", escrevem Fillipe Andrade, Lucas Guimarães e Lorena Fernandez.

Como resultado dessa perda de oferta hidrelétrica, pelos cálculos do BBA, a geração termelétrica aumentaria perto de 11% ao ano no período 2027-29, enquanto o preço médio marginal subiria de R$ 40 a R$ 59 por megawatt-hora (MWh).