Com cartazes a favor do Estado de direito, da Amazônia , dos bichos e até dos minérios brasileiros, manifestantes se revezavam ao microfone para pedir votos ao presidente e denunciar o que listavam como crimes do ex-presidente Jair Bolsonaro , pai do atual rival de Lula, o senador Flávio Bolsonaro ( PL ).
"A forma como as coisas chegaram até aqui, o risco de termos um novo governo autoritário, de virar uma situação insustentável", lista o mineiro Otávio Machado Marra, que mora há cinco anos na Alemanha , ao ser indagado sobre as razões que o levaram a participar da manifestação.
A seu lado, a catarinense Lauren Holbot lembrou da decisão de deixar o país durante o governo Bolsonaro (2019 a 2022). "Era aterrorizador viver no Brasil, vendo a pandemia cada dia pior, mais gente morrendo, Bolsonaro zoando das pessoas em rede nacional, não comprando vacinas, agindo da pior forma possível. E também naquela época já tinha o medo de ele dar um golpe de Estado."
Profissionais de TI, os dois votarão neste domingo em Berlim, que tem um colégio eleitoral de cerca de 10 mil eleitores e ainda congrega os eleitores da região de Hamburgo. No primeiro, turno, a cidade concedeu uma vitória sólida a Lula, com mais de 80% dos votos válidos . "Berlim tem uma história ligada à esquerda, e a maioria dos brasileiros que vieram para cá também."
Lauren distribui adesivos com Lula como chefe de cozinha cortando um espeto de döner kebab, a iguaria de origem imigrante mais conhecida de Berlim —algo parecido com o churrasco grego no Brasil. A figura é uma das tantas do protesto que procura trazer a política nacional para algo mais próximo do cotidiano alemão.
Natália La Viola, que emigrou para trabalhar como enfermeira e hoje estuda geografia em Halle, percorre o caminho inverso, lembrando que, no mês passado, votou no estado em que mora na Alemanha, Saxônia-Anhalt, contra a AfD (Alternativa para a Alemanha).
"Não é muito diferente do que tá acontecendo com a gente no Brasil agora, né? Uma eleição atrás da outra, eu já estou totalmente estressada com política", diz a fluminense Natália, há dez anos na Alemanha. Em setembro, a AfD alcançou mais de 40% dos votos para o Parlamento estadual e está a caminho de fazer o primeiro governador da extrema direita do país desde a Segunda Guerra Mundial .
"Acho que é o mesmo sistema, dar à população opções fáceis para problemas que precisam ser muito mais pensados", afirma. "Acho que tem muita coisa para a gente trabalhar, não só aqui, não só no Brasil, mas no mundo inteiro."