Ativista pró-democracia de Hong Kong é condenado a mais 10 anos de prisão

O ativista pró-democracia Joshua Wong foi condenado nesta quinta-feira (5) a mais dez anos de prisão em Hong Kong, na China, por conspiração para atuar em conluio com forças estrangeiras contra a segurança nacional. A sentença foi proferida

Por Admin ·

Ativista pró-democracia de Hong Kong é condenado a mais 10 anos de prisão

O ativista pró-democracia Joshua Wong foi condenado nesta quinta-feira (5) a mais dez anos de prisão em Hong Kong, na China, por conspiração para atuar em conluio com forças estrangeiras contra a segurança nacional. A sentença foi proferida com base na legislação imposta por Pequim em 2020 e criticada por organizações de direitos humanos como instrumento de repressão à oposição.

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Aos 30 anos, Wong já cumpre uma pena de quatro anos e oito meses por subversão, em outro processo relacionado à mesma lei. Ele se declarou culpado da nova acusação em setembro de 2025, o que levou o juiz William Tam a reduzir a punição. Segundo a agência Associated Press (AP), a pena inicial considerada pelo magistrado era de 13 anos.

A Human Rights Watch (HRW) classificou a decisão como "cruel e injusta". Em comunicado, a diretora da organização para a Ásia, Elaine Pearson, afirmou que o governo de Hong Kong utiliza a legislação para prender jovens que defendem mudanças sociais.

— A severa condenação imposta a Joshua Wong com base em acusações infundadas é cruel e injusta — declarou Pearson. A entidade pediu a libertação imediata do ativista e cobrou que governos estrangeiros condenem a decisão e considerem sanções contra autoridades envolvidas na repressão.

Wong foi acusado de solicitar apoio de países e organizações estrangeiras para a imposição de sanções contra Hong Kong e a China. A acusação poderia resultar em prisão perpétua, enquanto a defesa havia pedido uma pena de três a dez anos.

Repressão ao movimento pró-democracia

Uma das principais lideranças das manifestações de 2019, Wong ganhou projeção internacional ainda adolescente, quando liderava o grupo estudantil Scholarism. Desde os protestos, as autoridades chinesas restringiram a participação política na cidade, prenderam ativistas e promoveram o fechamento de veículos de comunicação críticos ao governo.

Para Eric Lai, pesquisador do Centro de Direito Asiático da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, a legislação pode ser utilizada para prolongar a prisão de opositores.

Pequim considera Wong uma figura contrária aos interesses chineses. Já as autoridades de Hong Kong defendem que a lei de segurança nacional é necessária para preservar a estabilidade da região após os protestos de 2019.