Atenção global ao sarampo

A pandemia de Covid-19 gerou alta global da incidência de sarampo em crianças até 5 anos —em alguns países, o fenômeno também tem relação com o movimento antivacina.

Por Admin ·

Atenção global ao sarampo

Os dados do Global Burden of Diseases, projeto internacional de pesquisa epidemiológica coordenado pela Universidade de Washington, foram publicados neste mês na revista Nature Medicine.

De 1990 a 2019, o número de casos de sarampo no estrato caiu 79%, de 52,2 milhões para 11,1 milhões. Em 2023, contudo, aumentou 40% , chegando a 15,6 milhões; a taxa de mortes por 100 mil habitantes despencou de 148 para 15,3, mas subiu a 18,4 em 2023.

A cobertura vacinal da primeira dose passou de 67,2% em 1990 para 83,5% em 2019 e, em 2023, caiu levemente para 81%. Já o movimento da segunda dose nos mesmos períodos foi de 14,4% a 68,4%, até chegar a 71,4%. A OMS preconiza 95% em ambas. Ademais, o número de crianças zero-dose subiu de 19,3 milhões, em 2019, para 22,2 milhões em 2023.

As regiões mais afetadas são a África Subsaariana, o Sudeste Asiático e o Norte da África. Mas, nos últimos anos, países como França , Alemanha e Itália registraram a maior incidência de sarampo em mais de 25 anos.

Também os Estados Unidos enfrentam a maior incidência desde 1991 , quando ocorreram 9.643 casos. Os 2.318 no primeiro semestre deste ano superam o total de 2025 (2.289), e 45 estados foram afetados. Em grande parte do país, pode-se recusar a imunização por motivos religiosos ou filosóficos.

Para piorar, o secretário de Saúde , Robert F. Kennedy Jr., é um antivaxxer que, desde a volta de Donald Trump ao poder, vem desmantelando programas e políticas de imunização .

O Brasil, que tem um robusto sistema de imunização e baixa adesão ao movimento antivacina, perdeu o certificado de eliminação do sarampo em 2018, mas conseguiu recuperá-lo em 2024.

Aqui, a cobertura da primeira dose caiu de 93,1% em 2019 para 88,9% em 2023, subindo a 92,6% no ano passado. É preciso mais atenção à segunda dose, que, após cair de 81,5% para 66,4% no período, ficou em 78% em 2025.

Especialistas também se preocupam com os casos registrados no estado de São Paulo , que, até 19 de outubro, chegaram a 41.

Governos em todo o mundo precisam adaptar estratégias de acordo com seus gargalos, sejam estruturais ou culturais. Ampliar a vacinação exige comunicação adaptada a diferentes públicos, combate à desinformação, capacitação de profissionais de saúde, acesso facilitado à imunização e ações específicas para gestantes.