Ataques cibernéticos com IA devem se tornar rotina até 2028, diz agência britânica

Relatório aponta China como ameaça mais sofisticada e Rússia como a mais ousada

Por Admin ·

Ataques cibernéticos com IA devem se tornar rotina até 2028, diz agência britânica

Reino Unido recebeu 1.831 notificações de ataques cibernéticos contra organizações neste ano

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Londres | Financial Times O Reino Unido já é alvo de ataques cibernéticos com uso de IA ( inteligência artificial ) por parte de países adversários, e a velocidade e a escala dessas ações devem aumentar significativamente nos próximos dois anos, alertaram os serviços de inteligência britânicos.

O NCSC (Centro Nacional de Segurança Cibernética), que integra aGCHQ (Agência Britânica de Inteligência de Sinais), afirmou que os avanços recentes nos modelos de IA estão "transformando as operações cibernéticas", ao facilitar a identificação de vulnerabilidades, a escolha de vítimas e a execução de ataques com maior eficiência.

"Até 2028, é altamente provável que China , Rússia e outros Estados utilizem rotineiramente a IA em ataques cibernéticos para alcançar seus objetivos geopolíticos, enquanto o Reino Unido enfrentará um aumento na escala e na velocidade de ataques sofisticados", afirmou o NCSC em sua revisão anual de segurança cibernética, publicada nesta terça-feira (3).

A agência também espera que, nos próximos dois anos, ocorram ataques de ransomware com uso de IA contra a infraestrutura britânica. Nesse tipo de ataque, um grupo criminoso utiliza um programa malicioso para invadir sistemas e só devolve o controle à vítima após o pagamento de um resgate.

Os alertas foram feitos após uma série de ataques cibernéticos de grande repercussão contra empresas e infraestruturas em diferentes partes do mundo. Muitos deles teriam contado com o auxílio de ferramentas de IA, que avançam rapidamente.

Na segunda-feira (2), freezers de dezenas de supermercados na Europa foram invadidos por um agente desconhecido , o que levou à perda de alimentos. Foi o segundo episódio desse tipo em um mês.

Os ataques ocorreram após o roubo, na semana passada, de US$ 6,3 bilhões (R$ 34,62 bilhões) em criptomoedas da Binance, a maior corretora de criptoativos do mundo . O episódio foi o maior roubo da história.

Em vez de automatizar completamente os ataques com IA, os hackers têm usado a tecnologia principalmente para realizar levantamentos de informações sobre alvos, personalizar campanhas de phishing e identificar e explorar vulnerabilidades em programas de computador, afirmou o NCSC.

A China representa a ameaça cibernética "mais sofisticada e persistente" enfrentada pelo Reino Unido, segundo a agência.

A Rússia, por sua vez, é a ameaça "mais ousada", acrescentou o relatório. O documento cita um ataque de dezembro de 2025 à rede elétrica da Polônia, atribuído a uma unidade cibernética dos serviços de segurança russos. Se tivesse sido bem-sucedida, a ação teria afetado 500 mil pessoas.

Neste ano, o NCSC recebeu 1.831 notificações de ataques cibernéticos contra organizações britânicas de diferentes setores. Desse total, 80 foram classificados como de importância nacional.

Em discurso na terça-feira (03) para apresentar o relatório, o diretor-executivo do NCSC, Richard Horne, afirmou que as defesas de segurança cibernética, sobretudo as da infraestrutura crítica, são insuficientes para enfrentar o aumento da ameaça.

"Durante décadas, conseguimos nos virar coletivamente com investimentos insuficientes em tecnologia", disse Horne. Ele pediu que organizações de todo o país ampliem os investimentos em segurança cibernética e evitem conectar desnecessariamente seus sistemas à internet.

"Nos próximos meses, enfrentamos a possibilidade concreta de um aumento sem precedentes no número de incidentes cibernéticos", acrescentou.

"Isso não acontece porque a IA inventou novas formas de nos atacar. Acontece porque vulnerabilidades toleradas por tempo demais agora podem ser descobertas e exploradas em uma escala e velocidade que antes eram inimagináveis."