Duas décadas depois, o Observatório Vera C. Rubin apresentou indícios daquele que pode ser o mais novo planeta-anão, a cerca de 7,1 bilhões de quilômetros do Sol .
"Esperamos que essa seja apenas a primeira de muitas descobertas", disse Mario Jurić, cientista-chefe do sistema solar no Observatório Rubin, durante uma entrevista coletiva concedida na última terça-feira (27), em uma reunião da divisão de ciências planetárias da UAI, em Spokane, no estado de Washington.
A descoberta não constitui, por si só, um argumento a favor ou contra a existência do Planeta Nove, um corpo de tamanho entre o da Terra e o de Netuno que, segundo alguns astrônomos, existiria ainda mais longe no Sistema Solar.
"Mas é uma prova de que temos capacidade para encontrar coisas e de que ainda há coisas incríveis a serem descobertas", disse Matthew Holman, astrofísico do Centro de Astrofísica, em Cambridge, Massachusetts.
Mesmo que se conclua que o Planeta Nove não existe, "é perfeitamente possível que haja por aí um objeto do tamanho de Marte, ou maior, que simplesmente ainda não tenha sido encontrado", afirmou.
Operado pela Fundação Nacional de Ciências e pelo Departamento de Energia americano, o Observatório Rubin varre repetidamente o céu noturno a partir do topo de uma montanha no Chile . Jurić disse que o observatório já descobriu em torno de 2.300 objetos além de Plutão. "Isso representa um aumento de cerca de 50% na população conhecida."
O mais recente, com a designação provisória de 2026 ED138, é o maior do grupo.
"Em certo sentido, não chega a ser uma grande surpresa", afirmou Holman. "Mas isso não significa que não seja empolgante."
De fato, simplesmente detectar o ED138 não exigiu um telescópio de ponta como o Rubin. "Na verdade, ele é brilhante o suficiente para que astrônomos amadores muito experientes consigam encontrá-lo com seus equipamentos", disse Holman.
Em cada imagem isolada, o ED138 parecia simplesmente uma estrela brilhante. Alguém que observasse imagens da mesma região do céu feitas em noites diferentes dificilmente perceberia que um dos pontos luminosos havia mudado de posição.
Mas um software de computador desenvolvido por Holman e seu colega Kevin Napier percebeu isso algumas semanas atrás, ao analisar imagens captadas pelo Rubin entre março e julho.
O software relacionou um ponto observado em uma noite a outros registrados em noites posteriores e concluiu que se tratava do mesmo objeto em movimento. O padrão dos pontos revelou a órbita do ED138, inclinada em quase 25 graus em relação às órbitas dos planetas. O brilho indicava que era um objeto bastante grande.
"Uma das coisas que você precisa fazer ao descobrir algo potencialmente desse tamanho é tentar verificar se é verdade", disse Holman.