Miller é assessor de comunicação do presidente dos EUA, Donald Trump , e um velho aliado da família de Jair Bolsonaro.
O núcleo do bolsonarismo que se estabeleceu em torno do filho de Eduardo nos EUA acompanhou a divulgação dos resultados do pleito brasileiro na Freedom Tower, em Miami .
Um auditório foi reservado para que cerca de 400 pessoas acompanhassem a apuração.
Jason Miller ficou boa parte do tempo em uma sala VIP, mas chegou a circular pelo auditório, onde foi visto sentado em uma das três primeiras fileiras reservadas para convidados especiais do núcleo duro bolsonarista.
Além dele, estavam no ambiente o ex-delegado Alexandre Ramagem , que também fugiu do Brasil para os EUA, o apresentador Paulo Figueiredo e o ex-capitão da PM André Porciúncula, que ocupou diversos cargos no governo de Jair Bolsonaro.
No início da apuração, Miller sorria e demonstrava grande confiança na vitória, segundo pessoas que o localizaram na fila VIP.
Assim que começou a virada, no entanto, ele fechou o semblante e deixou o local. Eduardo Bolsonaro também saiu do auditório e não retornou mais.
No dia seguinte, Miller passou a organizar a fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil. O ex-candidato afirma que tomou a decisão de sair do país depois que foi notificado pela PF (Polícia Federal) para entregar seu passaporte por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes .
O assessor de Trump providenciou o avião particular que levou Flávio aos Estados Unidos após sua derrota nas eleições presidenciais brasileiras.
A participação do americano na operação foi revelada na quinta (29) pelos jornais americanos The New York Times e The Wall Street Journal.
Miller faz parte do círculo de confiança de Trump, participou de suas campanhas presidenciais e mantém uma relação antiga com os Bolsonaros.
Ele retornou para a Casa Branca em agosto para assessorar a campanha dos republicanos para as eleições legislativas e ocupa atualmente uma função chamada "special government employee", categoria de funcionário federal geralmente vinculada a serviços temporários ou limitados.
No domingo (25), dia do segundo turno, Miller dizia a aliados que Trump reconheceria o resultado da eleição ainda naquela noite caso Flávio saísse vencedor, mas que não havia discutido com o presidente americano a possibilidade de vitória de Lula (PT). Também no domingo, passou a criticar a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin de ampliar o horário de votação.
"O advogado da campanha de Lula, agora ministro do STF, literalmente seu advogado, decidiu que as urnas ficassem abertas por mais duas horas. Não dá pra inventar uma merda dessas", escreveu ele, sem dizer que o próprio Flávio Bolsonaro também pediu a ampliação do horário de votação.
Fez ainda diversas postagens nas redes sociais dizendo que a vitória de Lula era "matematicamente impossível", argumento que tem sido usado por bolsonaristas para dizer, sem apresentar nenhum indício, que as eleições brasileiras foram fraudadas.
Miller acompanhou uma entrevista coletiva de Flávio a jornalistas em maio, após o encontro do senador com Trump na Casa Branca.
Na ocasião, afirmou que não havia participado da reunião no Salão Oval, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro era perseguido e declarou que o presidente americano estava "muito preocupado" com a situação política brasileira.
Questionado na época sobre sua presença no evento, Miller afirmou: "Estou aqui para apoiar meus amigos. Eu apoio Flávio".
Ao ser questionado por que Trump ainda não havia declarado apoio à candidatura do senador, o estrategista respondeu que o republicano confiava em Flávio, mas que a decisão caberia aos eleitores brasileiros.
"O presidente Trump sabe que a população brasileira vai tomar a decisão correta e tem toda a confiança em Flávio. Mas cabe ao povo brasileiro tomar essa decisão. Sei que o presidente está muito preocupado com a segurança do processo eleitoral no Brasil", afirmou.