"Morri de vergonha, mas fui", conta. Levou junto a neta, que na época tinha 15 anos.
Lá dentro, só havia meninas. Eliette foi a mais velha da festa até chegar outra senhora da idade dela, e as duas passaram a noite conversando.
Depois vieram outros encontros, sessões de cinema, troca de lembrancinha s e um grupo de amigas, muitas delas bem mais novas.
"É um bando de mulheres apaixonadas por sete meninos", resume.
Nos encontros, falam das músicas e dos integrantes, e cada uma tem o seu preferido, que vira " o meu marido " na conversa.
O grupo sul-coreano faz três apresentações no estádio do MorumBIS , em São Paulo, nesta quarta-feira (28/10) e nos dias 30 e 31 de outubro.
Os integrantes estavam em hiato desde 2022, quando suspenderam as atividades para cumprir o serviço militar obrigatório, e a última passagem do BTS pelo Brasil foi em 2019 . Todos os setores das três datas esgotaram em menos de uma hora e meia depois da abertura da venda geral.
Formado em Seul em 2013, o BTS tem sete integrantes: o líder RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jungkook.
A sigla vem de Bangtan Sonyeondan, algo como "garotos à prova de balas" em coreano. Segundo J-Hope , a ideia era bloquear estereótipos, críticas e expectativas.
Em 2017, o grupo passou a usar também o nome Beyond the Scene, "além da cena". Em 2026, depois de quase três anos de hiato, voltou com o álbum " Arirang ", que dá nome à turnê.
A BBC News Brasil conversou com três fãs com mais de 60 anos, familiares delas e uma especialista em envelhecimento para entender o lugar que o BTS ocupa na vida delas.
Eliette ouviu falar do BTS pela primeira vez pela afilhada, que foi ao show do grupo no Brasil em 2019. Na época, não deu atenção. O estalo veio em 2022, quando viu Jungkook, o integrante mais novo, cantar "Dreamers", a música oficial da Copa do Mundo do Catar , na cerimônia de abertura do torneio, em novembro de 2022.
"Fui lendo, fui lendo e fui me apaixonando", diz.
Ela estava se aposentando e tinha passado por duas COVIDs. Ficou muito doente e passava os dias trancada em casa, "meio depressiva", vendo doramas ( séries de TV sul-coreanas ). Hoje participa de dois grupos de fãs e ajuda a montar um terceiro, em Sarandi, interior do Paraná.
Durante o período em que os integrantes do BTS cumpriam o serviço militar —os últimos deixaram o serviço em junho de 2025—, as amigas mantiveram o hábito de se reunir para assistir a shows antigos e comemorar o aniversário de cada um deles.
Há pouco tempo, Eliette chegou a fazer um bolo em casa e cantar parabéns para um dos integrantes.
Mas o momento mais marcante para ela foi a volta da banda. Eliette conta que os integrantes tinham medo de que os fãs os tivessem esquecido. "Jamais", responde.
A convivência com as outras fãs também se tornou importante em sua vida. "Elas me ajudam a viver, me ajudam a sorrir", diz. "Você não se sente mais sozinha."
Os fãs do BTS se chamam de ARMY , "exército" em inglês, e Eliette leva o nome a sério.
"Nós somos até hoje o exército deles. Quando alguém falar deles, a gente vai proteger."
A cor do fandom é o roxo. Em 2016, num evento com fãs, V disse que o roxo é a última cor do arco-íris e que significa confiar e amar alguém por muito tempo. Daí veio o "I purple you", que os fãs repetem até hoje.
Eliette explica do jeito dela: o arco-íris tem sete cores, como o grupo tem sete integrantes, e o lilás, a última, "somos nós".
Para ela, o acolhimento vem do que o grupo canta. As letras falam de depressão e de não se deixar abater, e RM costuma indicar livros e museus aos fãs.
"Não tem cor, não tem diferença, todo mundo é um só, todo mundo é amor", diz.
Para a neuropsicóloga Veruska Vasconcelos, especialista em gerontologia e coordenadora do serviço de psicologia do Hospital Alvorada Moema, da Rede Américas, a solidão na velhice nem sempre tem a ver com estar sem gente por perto.