Exposição abre ao público neste sábado (7); ingresssos custam a partir de R$ 40
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São Paulo É comum que, quando uma exposição termina, suas sobras acabem indo para o lixo . Mas a artista hispano-brasileira Sara Ramo deu outro rumo aos restos das mostras dos últimos anos da Pinacoteca , na região central de São Paulo .
Com materiais reutilizados e itens doados por funcionários do museu , ela ergueu a instalação "Um Bosque, uma Mata", que recria a paisagem de uma floresta . Entre os objetos que compõem a obra estão centenas de canetinhas usadas para rabiscar o chão na mostra infantil " Experiências com a arte desde 1968 ", encerrada em outubro deste ano.
A instalação faz parte da exposição "A Fúria dos Restos Vivos", em cartaz a partir deste sábado (7) no 4º andar da Pina Estação .
Para quem acompanhou a programação do museu, o percurso pode até despertar lembranças. Mas "Um Bosque, uma Mata" não é uma colagem de trabalhos ou uma parceria com os outros artistas. Ramo não utiliza as obras originais: ela reaproveita materiais e lhes atribui outros significados.
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Canetinhas e tubos de guache , por exemplo, passam a compor a vegetação. Ficam em pé no chão, agrupados por cor, como mudas e folhagens. Ao redor, as caixas amarelas das bisnagas de guache se abrem em arranjos que lembram flores , entre varas de bambu que fazem as vezes de troncos.
Retalhos dos feltros usados por Cristina Salgado no Octógono da Pina Luz ganham nova forma. Dobrados, os azuis viram cogumelos cercados de copinhos plásticos brancos, que lembram esporos. Os vermelhos pendem do teto em gomos que se prolongam em tiras semelhantes a cipós.
Vasos com alças da obra de Pascale Marthine Tayou sustentam varas cor-de-rosa como se fossem caules . Bolas de bilhar da mostra de Renata Lucas se espalham como frutas caídas ou pedras no leito de um riacho.
Sara Ramo também aproveitou objetos que o próprio museu acumulava no dia a dia: luvas das montagens, bobinas de papel de máquinas de cartão, placas de sinalização quebradas, aspiradores de pó , caixas de som antigas e projetores obsoletos. Ela ainda recebeu bijuterias , roupas e outros itens dos quais os funcionários se desfizeram.
"Sem uso, esses materiais são feios, mortos. A ideia é usar esses restos de forma criativa, pensando na natureza, no que podemos fazer com eles", diz a artista.
O reaproveitamento de materiais aparece em outros trabalhos de Ramo. Em 2004, ela montou "O Jardim das Coisas do Sótão" no Museu de Arte da Pampulha , em Belo Horizonte (MG), com fichas de jogos, móveis e equipamentos do depósito da instituição. Em 2014, no Matadero, centro cultural de Madri , criou um cenário com objetos obtidos em mostras anteriores.
"As obras de Sara são como um carro alegórico de escola de samba, que junta adereços de formas e origens diferentes para desfilar, e depois viram outra coisa em outros lugares", afirma Lorraine Mendes, curadora da exposição.
A Fúria dos Restos Vivos Pinacoteca (Pina Estação) – lg. General Osório, 66, Santa Ifigênia, região central. Qua. a seg., das 10h às 18h. De 7/11 a 18/4. Ingr.: a partir de R$ 40