Formado em Viena, Hauff mudou-se para o Brasil, em 1922. Foi responsável por joias da engenharia em madeira, como os ginásios do Pacaembu, recentemente restaurados . Destino bem diferente teria o galpão, se a dupla não tivesse agido. Ele já estava nas mãos da demolidora, que ia "fatiar" a estrutura e vender.
"Em 24 horas, deixamos apalavrado, sem ter grana nem nada. Dissemos ‘vai batendo o contrato que na sexta a gente dá o sinal’", lembra Gaia. Na terça seguinte, o galpão estava comprado, por meio de uma vaquinha.
Começava, então, uma corrida para desmontar a estrutura e preservá-la a fim de ser remontada por um futuro proprietário.
A tarefa não era nada fácil. O galpão, com vãos livres nos dois sentidos, medindo 46 m x 56 m, é composto de treliças, por sua vez feitas de peças menores, encaixadas por cavilhas (pinos circulares de madeira). "Guardadas as proporções, é como a Torre Eiffel , feita de peças pequenas", diz Quinta.
"A questão não era só dar um dinheiro para evitar de a madeira virar tábua de queijo. Era o tempo. A demolidora tinha de entregar o terreno", recorda Gaia.
O próprio demolidor demorou a destelhar o prédio, o que deu ao grupo tempo para preparar a operação.
Poucas estruturas de Hauff sobreviveram na cidade. Além dos ginásios do Pacaembu, há um antigo hangar da Varig em Congonhas . Tombado, ele será usado como sala de embarque do aeroporto.
O galpão na Barra Funda é, na opinião de Ricardo Caruana, a obra "mais sensacional" de Hauff.