"Tomou-se nota do resultado eleitoral no Brasil", afirmou o funcionário na entrevista coletiva semanal na Casa Rosada ao responder por que ainda não houve manifestação sobre as eleições de domingo (25). Em seguida, afirmou: "Em 2023, quando Javier Milei foi eleito presidente, não houve qualquer gesto do presidente Lula para cumprimentá-lo pessoalmente, nem nada do tipo".
A declaração está incorreta. O petista foi um dos primeiros líderes da América Latina a reconhecer os resultados quando o Milei foi eleito, em novembro de 2023, embora não tenha citado o nome do presidente argentino.
"A democracia é a voz do povo, e ela deve ser sempre respeitada. Meus parabéns às instituições argentinas pela condução do processo eleitoral e ao povo argentino que participou da jornada eleitoral de forma ordeira e pacífica", disse Lula na ocasião.
"Desejo boa sorte e êxito ao novo governo. A Argentina é um grande país e merece todo o nosso respeito. O Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos."
Questionado em seguida sobre as implicações comerciais da decisão de não reconhecer o resultado, o porta-voz de Milei afirmou que "do lado argentino, a diplomacia continua, as relações comerciais continuam".
"Todas as pessoas e empresas, tanto da Argentina quanto do Brasil, que desejem comercializar e estabelecer relações, poderão continuar a fazê-lo com total normalidade. Nem hoje, nem na semana que vem. O que posso dizer aqui é que o presidente não é um hipócrita. Digamos que existe uma diferença ideológica real entre os dois mandatários", concluiu.
As desavenças entre os dois remontam a 2023, quando Milei se referiu ao petista como comunista e corrupto durante sua vitoriosa campanha à Casa Rosada. Em junho de 2024, Lula sugeriu que seu homólogo pedisse desculpas , ao que o argentino respondeu que havia coisas mais importantes do que "o ego inflado de algum esquerdinha".