"Acredito que não há outro país em todo o mundo com o qual estejamos tão alinhados quanto com o governo da Argentina", disse ele durante uma entrevista coletiva na sede do Ministério das Relações Exteriores argentino, onde se reuniu com Pablo Quirno, chanceler do governo de Javier Milei .
O número dois da pasta comandada por Marco Rubio disse ainda que a Argentina tem recursos para ser uma "superpotência econômica". E continuou: "Somos muito gratos ao governo atual e esperamos que possamos continuar neste caminho de mais investimento, mais prosperidade e de criação de um ciclo muito positivo".
A fala ocorre dois dias após Peter Lamelas, embaixador americano em Buenos Aires, condicionar o apoio dos EUA à continuidade de um governo de direita no país. O funcionário discursava a empresários em Neuquén, cidade no centro da Argentina.
"Estamos prontos para continuar impulsionando e financiando, a partir dos EUA e para além de 2027, caso a Argentina continue avançando, e nunca retrocedendo", afirmou, antes de explicar o que seria retroceder para Washington: "Estamos apoiando este governo, o governo de Milei, e o povo argentino, desde que sigam na direção correta: a direção à direita, e não à esquerda".
A lógica faz parte de uma estratégia mais ampla de Trump na América Latina , região que nos últimos meses passou por uma onda de vitórias da direita e da ultradireita —algumas delas apoiadas pelo republicano, embora a efetividade do respaldo seja indefinida. A própria Argentina foi uma delas.
Há um ano, em outubro de 2025, o Milei teve ajuda de Trump para alcançar uma surpreendente vitória nas eleições legislativas . Naquele mês, seu partido, o A Liberdade Avança, enfrentou uma eleição em meio a queda do peso argentino e um novo escândalo envolvendo um aliado do ultraliberal, mas conseguiu 64 das 127 cadeiras em jogo na Câmara dos Deputados e 13 das 24 disputadas no Senado.
Duas semanas antes da votação, Milei foi até a Casa Branca em busca de apoio, e os argentinos ouviram Trump ameaçar a parceria entre os dois países . "Se Milei não ganhar, não seremos generosos com a Argentina", disse o americano a jornalistas em frente ao homólogo. Às vésperas do pleito, o governo americano ofereceu um pacote de resgate financeiro de US$ 20 bilhões para evitar uma crise cambial.
Nesta quinta, o chanceler argentino foi consultado sobre as declarações do embaixador. "A única condição existente é que continuemos fazendo o que estamos fazendo, que sigamos pelo caminho do crescimento, da ordem macroeconômica e do equilíbrio fiscal", afirmou Quirno.