Após vitória de Lula, dólar fecha na maior alta diária desde 1999

Após a vitória do presidente Lula (PT) nas eleições , o dólar encerrou o pregão desta segunda-feira (26) com a maior alta diária desde janeiro de 1999, no início do regime de câmbio flutuante no país.

Por Admin ·

Após vitória de Lula, dólar fecha na maior alta diária desde 1999

Antes disso, o país utilizava um sistema de bandas cambiais, que mantinha a cotação do dólar dentro de limites estabelecidos pelo governo.

A moeda americana terminou o dia em alta de 8,41%, a R$ 5,409. Um avanço tão intenso não era registrado desde 15 de janeiro de 1999, quando o dólar subiu 11% em uma única sessão.

A Bolsa teve forte queda e encerrou o pregão em recuo de 13,88%, a 176.608 pontos, na maior desvalorização diária desde 16 de março de 2020 , quando recuou 13,92%. Na ocasião, a queda foi provocada pelos impactos da pandemia de coronavírus sobre a economia global.

Nesta segunda-feira, a volatilidade foi impulsionada pela vitória de Lula . Para investidores, a continuidade do petista no comando do Executivo amplia o temor de que não sejam adotadas medidas suficientes para ajustar as contas públicas.

A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, pressionando os juros futuros. Taxas mais altas, por sua vez, podem encarecer o crédito para as empresas e reduzir as perspectivas de lucro, pressionando o mercado acionário.

A percepção é reforçada por instituições financeiras. O JP Morgan rebaixou a recomendação do real e dos títulos públicos nacionais de "overweight" para "marketweight" (acima da média do mercado" para "em linha com a média do mercado") após a vitória de Lula. De acordo com Vinicius Moreira e sua equipe, o resultado, considerado inesperado, deve levar a uma "reavaliação significativa" dos ativos.

Durante o pregão, a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020 para conter a volatilidade na Bolsa brasileira. O mecanismo interrompe temporariamente as negociações em momentos de fortes quedas. Durante a suspensão, ficam paralisadas as operações com ações, derivativos e títulos de renda fixa privada, dando ao mercado um intervalo para assimilar as oscilações.

O movimento reverte a valorização dos ativos após o primeiro turno das eleições, quando prevalecia a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de um ajuste fiscal mais rigoroso sob seu governo. No pregão seguinte à primeira rodada da eleição , a Bolsa subiu 7,70%, aos 206.911 pontos, em recorde em termos nominais e reais. O dólar, por sua vez, caiu 4,11%, a R$ 5,001, na maior queda diária desde 2018, quando a moeda recuou 5,50% em uma única sessão.

Com as fortes oscilações desta segunda-feira, o dólar voltou ao patamar de dezembro de 2025, apagando a desvalorização acumulada em relação ao real ao longo do ano. A Bolsa, por sua vez, recuou ao menor nível desde junho.

"O descompasso de expectativas do mercado em relação ao resultado das urnas resultou em um movimento generalizado de liquidação na Bolsa, evidenciando a cautela dos investidores em relação às futuras diretrizes econômicas e fiscais do país", diz Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

Para os analistas, contudo, a trajetória do dólar e da Bolsa no médio prazo dependerá das sinalizações sobre a política fiscal. "Pode haver um movimento muito forte no pós-eleição, mas sua consolidação vai depender das medidas do candidato eleito. A depender de como o vencedor conduzir a política fiscal, podemos ter uma reversão das expectativas iniciais", diz João Daronco, analista da Suno Research.

Colaboraram Júlia Moura e Júlia Galvão