Após derrota nas eleições, republicanos se voltam contra secretário de Defesa, e Câmara pode votar impeachment de Hegseth

Republicanos assustados com a derrota nas eleições de meio de mandato estão tentando atribuir o resultado ao secretário de Defesa dos Estados Unidos , Pete Hegseth. Foi o presidente Donald Trump quem decidiu iniciar a impopular guerra contr

Por Admin ·

Após derrota nas eleições, republicanos se voltam contra secretário de Defesa, e Câmara pode votar impeachment de Hegseth

Republicanos assustados com a derrota nas eleições de meio de mandato estão tentando atribuir o resultado ao secretário de Defesa dos Estados Unidos , Pete Hegseth. Foi o presidente Donald Trump quem decidiu iniciar a impopular guerra contra o Irã, no último dia de fevereiro, que derrubou o apoio dos eleitores ao partido. Mas, segundo a rede americana CNN, parlamentares e aliados argumentam nos bastidores que Hegseth teve papel central em convencer o presidente a atacar o país sem estratégia de saída e sem plano para lidar com as consequências políticas. A Câmara, portanto, pode votar o impeachment do chefe do Pentágono já na próxima semana, quando o Congresso retoma os trabalhos, antes mesmo de os democratas assumirem a maioria, em janeiro.

Quem promete levar o caso ao plenário é o deputado republicano Thomas Massie, do Kentucky, conhecido por suas posições contrárias a Trump. Massie, que apresentou uma proposta de impeachment de Hegseth em setembro, disse à CNN que vai forçar a votação, e várias fontes republicanas afirmaram à emissora que esperam a aprovação.

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Sob condição de anonimato, republicanos disseram à CNN que Hegseth, um dos maiores entusiastas da guerra, exagerou a capacidade dos EUA de vencer o conflito de forma rápida e fácil. Segundo eles, o secretário continuou defendendo uma escalada mesmo sem sinais de que os bombardeios aproximassem o Irã de uma rendição.

A guerra, então, virou um atoleiro, prendeu os EUA indefinidamente no Oriente Médio, agravou a crise do custo de vida e provocou a revolta dos eleitores contra o partido. Na quarta-feira, um dia depois da confirmação da onda democrata, o vice-presidente JD Vance declarou que “perdemos por causa da guerra”, sem atribuir a responsabilidade a ninguém.

— Se o presidente quer mesmo que alguém assuma a responsabilidade, é Pete Hegseth — disse à CNN um republicano próximo à Casa Branca. — Pete foi desonesto ou errou, e nenhuma das duas coisas é aceitável, sobre prazos, metas e objetivos desde o início.

Os líderes do partido, por ora, seguem sem culpar Trump diretamente. Mesmo entre os deputados republicanos que sobreviveram à derrota de terça-feira, ninguém espera um rompimento com o presidente, que ainda tem dois anos de mandato. Essa lealdade, porém, não se estende a Hegseth, que fez poucos amigos no Capitólio desde que assumiu o Pentágono.

Dentro do círculo de Trump, há quem veja no provável impeachment mais um motivo para transformar o secretário em bode expiatório. O argumento é que ele se tornaria, de qualquer forma, o principal alvo dos democratas na investigação sobre a guerra.

— Acho que ele provavelmente sabe que está morto, mas gostaria de uma saída dramática o suficiente para servir de trampolim para concorrer à Presidência — disse uma autoridade do governo.

'Você é meu melhor homem'

Apesar da pressão, a confiança de Trump em Hegseth não diminuiu, embora, de acordo com a CNN, o presidente tenha consultado aliados sobre o desempenho do secretário. Trump gosta pessoalmente de Hegseth e disse a assessores que ele deve reagir às tentativas de impeachment e de investigação.

— Há dois dias, o presidente estava na sala com ele, dizendo: “Você é o meu melhor homem. O melhor que eu tenho” — contou uma das autoridades.

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Questionado na quarta-feira sobre o futuro de Hegseth, Trump defendeu a guerra, negou planos de demiti-lo e disse que o secretário está fazendo “um ótimo trabalho”.

— Se eu tivesse que fazer de novo, eu teria que fazer de novo — afirmou o presidente sobre a decisão de ir à guerra.

Em entrevista à rede ABC, o republicano admitiu ter recebido telefonemas de aliados insatisfeitos com Hegseth, mas descartou as queixas e prometeu mantê-lo. Segundo uma fonte, Trump também pode querer manter o secretário caso decida fazer novos ataques ao Irã, já que a nova maioria democrata no Senado deve dificultar a confirmação de novos integrantes do governo.

A porta-voz da Casa Branca, Lauren Bis, criticou a perspectiva de investigações democratas sobre o Pentágono. “Se os democratas escolherem conduzir investigações fraudulentas e políticas radicais de esquerda, estarão escolhendo trabalhar contra o povo americano”, afirmou em comunicado.

O próprio Hegseth tem se mostrado desafiador. Uma pessoa próxima disse à CNN que o secretário espera continuar no cargo e está preparado para enfrentar o impeachment. Segundo essa fonte, ele avisou à Casa Branca que está pronto para assumir todas as decisões do Pentágono e se sente capaz de defendê-las em audiências públicas, que devem ser tensas quando os democratas assumirem o controle do Congresso, em janeiro.

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“O secretário Hegseth não vai recuar nem se intimidar com políticos que buscam marcar pontos partidários ou abrir investigações falsas onde não há irregularidades”, afirmou em comunicado o porta-voz-chefe do Pentágono, Sean Parnell. Segundo ele, Hegseth está “100% comprometido em liderar o Departamento até o fim do mandato do presidente Trump”.

Assessores e aliados de Trump, porém, duvidam de quanto tempo essa determinação vai durar. Mesmo antes da eleição, autoridades da Casa Branca e integrantes da estrutura política do presidente admitiam que a guerra com o Irã era o maior problema do partido nas urnas, e Hegseth está diretamente ligado a ela.

Para os críticos da guerra, a saída de Hegseth seria só o primeiro passo para encerrar o conflito, já que Trump continua a defendê-lo apesar do custo político e econômico.