Em visita a Hebron após o ataque, Netanyahu falou em uma ofensiva "como não se vê desde a Guerra dos Seis Dias", em referência ao conflito árabe-israelense de 1967, no qual Israel ocupou a Cisjordânia. "As Forças de Defesa estão prontas para executá-la, e nós definiremos o momento, mas ela está a caminho", afirmou.
O episódio ocorre a quatro dias das eleições legislativas que poderá mudar o governo do país. Netanyahu também ordenou o "fechamento imediato" de Hebron e pediu ao Exército que se prepare para impor um "fechamento total" da Cisjordânia.
Hebron é dividida em dois setores: um sob controle das autoridades palestinas e outro, onde vivem colonos israelenses, sob controle do Exército. O ataque ocorre em meio ao recrudescimento das tensões na Cisjordânia.
No início desta manhã, dois homens vestidos de preto, um armado com um fuzil e o outro com uma pistola, abriram fogo contra um grupo de militares em um cruzamento ao norte de Hebron, no sul do território, antes de serem mortos em um intenso tiroteio.
O Exército identificou os israelenses mortos como os sargentos Ron Yonatan Roytman, 23, e Yuval Shai Svilem, 20. Outros três militares ficaram levemente feridos.
"[Os militares] entrarão no bairro de onde vieram os terroristas, retirarão os moradores, vasculharão as casas uma a uma, apreenderão as armas e destruirão a infraestrutura terrorista", disse o premiê, que lidera o governo mais à direita da história de Israel, segundo seu gabinete.
O grupo terrorista Hamas, que tem base na Faixa de Gaza Gaza e realizou o ataque de 7 de outubro de 2023, celebrou o atentado e lamentou a morte dos dois agressores. O ataque foi uma "resposta natural e legítima aos crimes e ataques brutais que continuam sendo cometidos contra o nosso povo", afirmou em comunicado o Hamas, rival do Fatah, facção que governa a Autoridade Palestina .
Netanyahu afirmou que os militares aplicariam um modelo usado anteriormente em campos de refugiados no norte da Cisjordânia. Uma operação militar de grande escala batizada de "Muro de Ferro", lançada em janeiro de 2025, deslocou à força dezenas de milhares de pessoas de vários campos de refugiados, segundo a ONU.
Segundo o ministro da Defesa, Israel Katz, os moradores de todos os bairros de clãs de onde saíram os atiradores serão retirados, e a infraestrutura "terrorista" será "neutralizada e desmantelada". Os clãs, grandes famílias com forte influência, têm peso na vida política e social de Hebron.
O ministro das Finanças, o extremista Bezalel Smotrich, disse ter ordenado a demolição de edifícios próximos ao local do ataque. O ataque abalou a campanha eleitoral, e Netanyahu, que busca um novo mandato, pediu ao Likud, seu partido, que cancele todos os eventos previstos para esta sexta.