Após abrigos e mudanças, menino superdotado retoma estudos com bolsa no Rio

Ir à escola, encontrar os colegas e aprender coisas novas. Experiências comuns à infância ganharam um significado especial para Adriano Álvaro de Melo, 10, que tenta reconstruir a rotina escolar após anos de dificuldades para encontrar aten

Por Admin ·

Após abrigos e mudanças, menino superdotado retoma estudos com bolsa no Rio

O menino, identificado com altas habilidades ou superdotação aos 4 anos, conseguiu uma bolsa integral em um colégio particular de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro , em abril deste ano. Após uma interrupção, voltou às aulas em setembro. Ele e a mãe, Priscila de Melo, ainda buscam uma moradia definitiva após passarem por abrigos e mudanças de cidade.

A história de Álvaro foi contada pela Folha em 2023, quando ele tinha 7 anos e estava fora do ensino formal. Já havia aprendido a ler e escrever sozinho e criado o jogo "Super Alvinho" após participar de um curso on-line de Harvard . Segundo Priscila, a rede pública não oferecia o atendimento necessário para desenvolver suas habilidades.

Desde então, Álvaro chegou a frequentar outras instituições de ensino, mas sua trajetória foi marcada por interrupções. A repercussão do caso atraiu pessoas dispostas a ajudar. Além de doações, que a mãe calcula em cerca de R$ 224 mil, a rede de solidariedade abriu caminho para a bolsa escolar e para o pagamento temporário de uma pousada. Priscila pretende usar o dinheiro arrecadado para comprar um apartamento em Bonsucesso, na zona norte do Rio, perto de parentes.

A bolsa na Legacy School foi concedida no aniversário de 10 anos de Álvaro. Ele frequentou as aulas por cerca de dois meses, mas precisou sair de Cabo Frio quando Priscila voltou à capital para tratar na Fiocruz uma tuberculose resistente a medicamentos. Em setembro, mãe e filho retornaram à Região dos Lagos, e a escola renovou o benefício até o fim do ano letivo.

Agora no quarto ano do ensino fundamental, Álvaro se adaptou à turma e vem tirando notas altas, segundo Priscila. "Assim, o mais importante é ele estar feliz. Ele interagir bem com os colegas, com a turma", diz.

A doença da mãe agravou uma situação financeira. Priscila conta que começou a sentir dores nas costas em outubro de 2025, recebeu diferentes diagnósticos e só depois descobriu a tuberculose. Iniciou o tratamento em janeiro deste ano e precisou retornar ao Rio para acompanhá-lo.

Sem emprego, ela havia ido com o filho para Cabo Frio em março, em busca de oportunidades. Os dois ficaram em uma casa de passagem e, posteriormente, em abrigos na Ilha do Governador e no Grajaú, no Rio. Foi por intermédio da direção da unidade de acolhimento em Cabo Frio que surgiu o contato com a escola.