As projeções tabeladas pelo jornal The New York Times revelam ainda que os candidatos democratas foram os que mais receberam votos em praticamente todos esses segmentos, com exceção de um: o de pessoas brancas, entre as quais os republicanos angariaram 51% dos votos.
Ainda assim, entre elas houve aumento de 13 pontos percentuais no apoio dado aos democratas em comparação com a eleição de dois anos atrás, quando Donald Trump foi referendado para voltar para a Casa Branca. Os dados consideram a votação para a Câmara dos Deputados, que renovou todas as suas cadeiras para a próxima legislatura.
Se considerados todos os segmentos do eleitorado, os democratas ganharam 15 pontos percentuais de apoio, ficando com o voto de 56% para a Câmara. A vantagem entre alguns dos segmentos analisados foi bem maior. Por exemplo, o dos eleitores de origem latina .
Nesse grupo, o apoio aos democratas cresceu 28 pontos percentuais e chegou a 69% dos votos. Foi a maior alta entre todos os grupos raciais.
Nesse sentido, são os negros aqueles que mais votam pelos democratas (91%), e entre eles também houve um aumento de 9 pontos no apoio dado ao partido que realizou o chamado "tsunami azul" nos EUA.
Outro grupo expressivo foi o dos eleitores americanos mais jovens. Entre aqueles de 18 a 29 anos, o apoio aos democratas cresceu 32 pontos e ficou em 70% nestas midterms. Entre os de 30 a 44 anos, o crescimento foi de 24 pontos, chegando a 62%.
Quando o tópico é idade, o aumento mais tímido no apoio aos democratas vem dos maiores de 65 anos, para os quais o crescimento foi só de 6 pontos.
Quando o recorte é educação, o conjunto de votos para os democratas é maior à medida que o grau de educação é superior.
O movimento é contrário quando se olha para quais grupos elevaram o apoio aos democratas em relação a dois anos atrás. Aqueles só com ensino médio, segmento no qual 50% votam em democratas, apresentaram aumento de 18 pontos no apoio ao partido. É o maior aumento no segmento de educação.
Nesse mesmo sentido, um grupo historicamente importante para Trump, o dos eleitores brancos sem ensino superior, também diminuiu seu apoio ao presidente. Quando raça e educação são olhadas de forma interseccionalizada, observa-se que o único grupo que vota mais pelos republicanos é o dos brancos sem ensino superior (59%). Até entre eles, porém, aumentou o apoio aos democratas, em 14 pontos.
O presidente, que está na metade de seu segundo governo, pode se tornar um "pato manco" ao ter sua governabilidade desafiada por meio de uma mensagem quase que uníssona da população americana. E ainda que os fatores que levem o eleitor à urna sejam plurais e variem de segmento para segmento, há um que é equânime.