Dos 5.119 municípios dessas regiões, somente 82 (1,47%) alcançaram ou ultrapassaram o índice ideal de proteção; outros 139 (2,5%) tiveram avanço significativo e estão acima de 80% de cobertura.
Na maioria dos casos (2.935 municípios ou 52,68%) a cobertura está entre 41% e 60%; outras 1.571 cidades (28,2%) vacinaram de 61% a 80% da população. As informações foram extraídas nesta quinta-feira (29) do painel de vacinação de influenza do Ministério da Saúde .
Nessas quatro regiões, 52,45% do público-alvo está imunizado —pessoas com 60 anos ou mais, crianças de 6 meses a menores de seis anos e gestantes.
Desde 2023, a campanha de vacinação contra a gripe no Norte é realizada no segundo semestre do ano, em meados novembro, devido ao inverno amazônico. Por isso ainda não há dados disponíveis da região. No resto do país, a campanha começa em março.
A infectologista Rosana Richtmann, do comitê de imunizações da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), argumenta que as mudanças de temperatura no Sul e Sudeste favorecem a transmissão de influenza e outros vírus respiratórios.
"É um ano crítico, devido à influência do El Niño . O problema não é só a baixa cobertura, mas também o fato de que a vacina confere uma proteção que não é tão prolongada, em torno de seis meses. Muita gente tomou vacina em março, por exemplo, e nós estamos em outubro. Essas pessoas podem se infectar", diz a médica.
"Neste ano está tudo diferente em termos climáticos, e estamos vendo casos de influenza fora de época. As temperaturas baixas favorecem a transmissão do vírus, e nós deixamos os ambientes menos ventilados."