Aos 25 anos, jovem do interior de Goiás se torna primeira diplomata quilombola

A conquista representa um marco para a presença quilombola na diplomacia brasileira. Helen integrou a primeira turma selecionada por um concurso que reservou vagas específicas para indígenas e quilombolas, grupos historicamente pouco repres

Por Admin ·

Aos 25 anos, jovem do interior de Goiás se torna primeira diplomata quilombola

A conquista representa um marco para a presença quilombola na diplomacia brasileira. Helen integrou a primeira turma selecionada por um concurso que reservou vagas específicas para indígenas e quilombolas, grupos historicamente pouco representados na carreira.

O caminho até o Itamaraty, porém, exigiu uma preparação que nem sempre esteve ao seu alcance. Em Simolândia, a jovem enfrentou a falta de professores especializados e precisou estudar inglês por conta própria para alcançar o conhecimento exigido na seleção.

Formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG) , Helen encontrou na educação uma maneira de seguir uma profissão que, durante parte da juventude, considerou distante de sua realidade.

Nascida em Goiânia, Helen cresceu em Simolândia, onde estudou no Colégio Estadual Elvira Leão Barreto. Sua família pertence à comunidade quilombola do Retiro, lugar que marcou sua infância e sua relação com as próprias origens.

Uma das principais inspirações da jovem é a avó, Brasilina Duques Borges , conhecida como Dona Miúda. Segundo Helen, a avó incentivou os sete filhos a cursarem o ensino superior, mesmo diante das dificuldades de acesso à educação.

O interesse pela diplomacia surgiu em 2017 , quando um professor de História de um curso preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) apresentou a carreira à estudante.

Durante a graduação, Helen chegou a considerar abandonar o curso. Incentivada pela mãe a continuar por mais um semestre, encontrou na disciplina de Política Externa Brasileira um novo motivo para seguir na área.

Em 2025, concluiu a faculdade e voltou para Simolândia para se preparar para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata . Sem acesso local a toda a estrutura de ensino especializada de que precisava, buscou materiais e aprofundou os estudos de forma independente.

A aprovação veio em 12 de maio de 2026 , quando Helen conquistou a vaga reservada a candidatos quilombolas no concurso daquele ano.

O processo seletivo foi o primeiro da carreira diplomática realizado sob as regras da Lei nº 15.142/2025 , que estabeleceu a reserva de 30% das vagas em concursos federais para pessoas negras, indígenas e quilombolas.

Entre as 60 vagas oferecidas, uma foi destinada a candidatos quilombolas e duas a indígenas. Na cerimônia de posse, Helen esteve ao lado de outros 59 profissionais, incluindo os indígenas Marcelo Kariri Meneses e Idjahure Achkar.

Com o ingresso no Ministério das Relações Exteriores, a jovem passa a integrar a carreira diplomática como terceira-secretária, que inclui formação no Instituto Rio Branco .

Helen já manifestou o desejo de, um dia, alcançar o posto de embaixadora. Por enquanto, a conquista é outra, igualmente concreta: a primeira diplomata quilombola do Brasil deixou de ser apenas uma candidata aprovada e passou a ocupar oficialmente uma vaga no Itamaraty, iniciando sua trajetória profissional na representação do país.