O trabalho ganhou reconhecimento nacional. Ana Luísa está entre os jovens destacados pelo Prêmio Empreendedor Social 2026 , que valoriza pessoas de 14 a 24 anos envolvidas em iniciativas de democracia e cidadania.
Mas uma das conquistas mais significativas aconteceu antes da premiação. Uma proposta construída com a participação da jovem e de outras estudantes chegou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e deu origem a um projeto de lei apresentado em junho.
A história mostra que a participação política não precisa começar com uma candidatura ou um cargo público. No caso de Ana Luísa, começou com a vontade de aproximar outras meninas das decisões que afetam suas vidas.
Ana Luísa é estudante de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) , em Belo Horizonte. Ao lado de outras jovens, encontrou uma maneira de fazer com que propostas discutidas fora dos gabinetes fossem ouvidas por representantes políticos.
Uma dessas experiências envolveu a deputada estadual Lud Falcão. Ana Luísa e Camila Zago Andrade Araújo, então estudantes do primeiro período de Direito, procuraram o gabinete parlamentar com uma proposta voltada à participação de mulheres nos espaços de decisão .
A iniciativa resultou na apresentação do Projeto de Lei 5.790/2026 , que propõe criar o programa Jovens Legisladoras em Minas Gerais. A ideia é oferecer formação política, visitas a instituições públicas e atividades nas quais meninas possam aprender a elaborar propostas legislativas.
O documento oficial reconhece a participação das estudantes na origem da proposta . Embora a autoria parlamentar seja da deputada, a justificativa registra que a ideia nasceu da iniciativa das jovens universitárias.
A trajetória de Ana Luísa agora ganha visibilidade por meio do Prêmio Empreendedor Social , promovido pela Folha de S.Paulo em parceria com a Ashoka. A edição de 2026 destaca jovens envolvidos em iniciativas que incentivam a participação cidadã.
Na categoria Jovens Transformadores por Democracia e Cidadania, a mineira divide o reconhecimento com outros dois ativistas: Dionísio Miguel Martins Lima, de 17 anos, de Goiás, e Nantenin Diarra, de 23 anos, que desenvolve um trabalho de acolhimento a migrantes em Sergipe.
Os três representam diferentes formas de participação social. Enquanto Ana Luísa trabalha para aproximar meninas da elaboração de leis , os outros projetos abordam o envolvimento de estudantes nas eleições e o apoio a pessoas que vivem longe de seus países de origem.
Os vencedores do prêmio serão conhecidos em 16 de novembro de 2026 . Já a proposta relacionada às jovens legisladoras segue seu próprio caminho: foi anexada ao Projeto de Lei nº 4.666/2025 e ainda depende de aprovação para se tornar lei.
Para Ana Luísa e as estudantes que participaram da iniciativa, uma conquista já está documentada: uma ideia apresentada por jovens universitárias deixou o ambiente acadêmico e passou a fazer parte do debate legislativo em Minas Gerais.