"Qualquer eleição é uma esperança de mudança para melhor. A gente sempre está dizendo: ‘Ah, agora vai ser melhor’. O que, infelizmente, não é verdade", afirmou, em entrevista à Folha em seu apartamento, na região central de São Paulo.
A expectativa frustrada de transformação não a leva, porém, a abandonar a participação política. Ao contrário: para Genevois, a mudança depende do envolvimento de cada cidadão, e não apenas da escolha de representantes nas urnas.
"Todo mundo critica, acha ruim, mas, na verdade, não se esforça para mudar", disse. "As pessoas têm que participar."
Nascida no Rio de Janeiro, em 10 de março de 1923 em uma família da elite carioca, Genevois atravessou um século de transformações políticas no Brasil.
Morou na zona rural de Campinas (SP), onde se deparou com a miséria dos trabalhadores rurais. Lá, promoveu ações de combate à desnutrição infantil e orientou mulheres sobre cuidados maternos. Articulou a criação de creches, de um posto de puericultura e de um clube de mães voltados às famílias de trabalhadoras.
Mudou-se para São Paulo em 1967, formou-se em ciências sociais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Tornou-se referência na defesa dos direitos humanos no país ao integrar, por 25 anos, a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, criada por iniciativa do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, da qual hoje é presidente de honra.
A partir dos anos 1970, em plena ditadura militar, denunciou a tortura e os desaparecimentos e procurou advogados dispostos a defender perseguidos pelo regime. Também ajudou a acolher refugiados de países latinoamericanos submetidos a seus próprios governos autoritários e alertou para violações no exterior.
Sua atuação não terminou com a redemocratização. Genevois participou de iniciativas de educação em direitos humanos, combateu a violência institucional e esteve entre as pessoas que ajudaram a fundar a Comissão Arns , dedicada à defesa da democracia e dos direitos humanos num Brasil que ainda coleciona violações que aumentam e diminuem ao sabor dos diferentes governos.
É com essa trajetória que ela acompanha a candidatura à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro , condenado por tentativa de golpe de Estado e outros crimes contra a democracia.