As apurações, conduzidas durante a vigência de duas medidas provisórias que permitiram à ANP fiscalizar e punir a prática, identificaram aumentos "imotivados" de até 4.000% na margem entre o custo de aquisição e o valor de venda dos produtos.
O regulador não divulgou nominalmente as empresas que foram multadas, mas apontou que as distribuidoras condenadas em primeira instância são responsáveis, em conjunto, por mais de 45% do volume total de combustíveis movimentado no mercado nacional em 2026.
A ANP observou que deixou de ter competência para autuar agentes econômicos especificamente pela prática de preços abusivos depois da perda de validade das medidas provisórias sobre o tema. Os casos remanescentes serão encaminhados, após análise preliminar das notas fiscais pela agência, à Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) e aos Procons estaduais e municipais parceiros.
A reguladora informou ainda que sua diretoria aprovou na semana passada o encaminhamento ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) de 11 processos administrativos sancionadores contra dez distribuidoras de combustíveis por elevação abusiva de preços.
O encaminhamento permitirá ao Cade avaliar, no âmbito de suas competências, a eventual existência de condutas anticoncorrenciais relacionadas às práticas identificadas pela ANP.
"A medida não significa que a Agência tenha constatado infrações à ordem econômica, que são de responsabilidade do Cade, mas que os elementos reunidos durante a fiscalização poderão subsidiar a análise do órgão responsável pela defesa da concorrência", disse a ANP.