29/10/2026 03h30 Atualizado 29/10/2026 03h30
Na noite de domingo, horas depois das urnas confirmarem a derrota para Lula (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu um telefonema do empresário Paulo Figueiredo dos EUA. O amigo de Eduardo Bolsonaro, que havia passado a tarde acompanhando a apuração em uma live, o incentivou a deixar o Brasil junto com a família para liderar a oposição no exterior ao lado do irmão. Lembrou da briga que teve, em 2023, com o ex-presidente Jair Bolsonaro quando ele voltou para Brasília após quase 100 dias de estadia nos EUA — os dois ficaram meses sem se falar devido à discussão. Para Figueiredo, Bolsonaro nunca deveria ter retornado ao país depois da derrota para o PT na eleição passada pois acabaria preso pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que acabou se confirmando em 2025.
Repercussão: Ministros do STF e TSE veem 'vexame' em carta de Flávio e defendem não alimentar crise artificial Em meio à crise provocada por fuga de Flávio: Moraes autoriza visita de Valdemar Costa Neto a Bolsonaro
Ao seguir o conselho do empresário, fugir do Brasil e divulgar uma carta de teor golpista nas redes sociais, Flávio ontem rasgou de vez o figurino criado pelos seus estrategistas para uma campanha eleitoral em que sabia ser necessário reduzir a rejeição ao sobrenome que carrega. Em agosto, as primeiras peças publicitárias criadas para apresentar o senador na TV exibiam a sua esposa Fernanda se referindo da seguinte forma ao marido: “Não é à toa que você é um Bolsonaro moderado. Eu reeduquei ele”, disse às gargalhadas no primeiro programa eleitoral.
Flávio agora se junta ao time de aliados que lê a derrota de domingo de maneira oposta a de parte expressiva do PL, de políticos do Centrão, de marqueteiros e donos de institutos de pesquisa. No Brasil, o fracasso da direita está sendo atribuído à postura arrogante e debochada do candidato no segundo turno, simbolizada pela presença de Pablo Marçal na preparação de debates, além do pouco cuidado dado a tudo que foi construído de imagem moderada de Flávio entre os meses de agosto e setembro.
Para a turma dos EUA, os motivos do revés são outros. Nas conversas com Flávio, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo dizem que faltou mobilizar ainda mais a militância da direita raiz nas redes — exatamente o que o deputado federal André Janones (Rede) fez em três semanas com o “Exército do Lula”, os dois avaliam.
Desde o início do mês, Figueiredo vinha fazendo lives cobrando o engajamento de lideranças de direita na campanha do senador. Um site chamado “Flaviômetro” chegou a ser criado para fazer um placar diário sobre a quantidade de postagens que deputados, senadores e governadores eleitos pelo PL estavam fazendo nas redes sociais a favor do presidenciável. A madrasta e senadora eleita pelo Distrito Federal, Michelle, por exemplo, foi uma das mais cobradas pela falta de presença na internet pedindo votos para o filho do ex-presidente no segundo turno.
Em mais uma visão muito diferente de quem estava no comando da campanha de Flávio, Figueiredo considera que outro motivo da derrota está no pedido feito para que ele parasse de fazer articulações junto ao governo dos EUA. Em dezembro, o governo americano retirou as sanções da Lei Magnitsky que haviam sido estipuladas em julho contra o ministro Alexandre de Moraes. A intenção do empresário e de Eduardo era de voltar a trabalhar pelas sanções contra integrantes do STF, mas acabaram impedidos pelo próprio Flávio e outros integrantes da campanha que pediram para que a dupla nos EUA parasse de agir.
Até hoje ainda não é claro o tamanho da influência de Figueiredo e do irmão de Flávio junto ao governo Donald Trump, mas o fato é que o senador agora está se juntando a pessoas que consideram que sanções contra ministros de cortes superiores teriam intimidado o avanço de decisões desfavoráveis à direita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e inquéritos abertos no STF.
Quem acompanha as lives de Figueiredo diariamente no YouTube já pode perceber um movimento inicial de envenenamento da sua audiência contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ontem, em live de 1h16m, o empresário reclamou da postura de Freitas de repetir o mantra de que “a eleição acabou” e “é preciso olhar para a frente”. A disputa pelo comando da direita — que se dava apenas nos bastidores antes da escolha de Flávio como candidato a presidente por um pai preso — agora vai passar ao vivo no YouTube todo dia.
Disco tem participações de peso, que vão de Anitta a Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho
Atleta de crossfit e empreendedor, o paulista conquistou o campeonato nacional da modalidade em 2019 e também investe na carreira como influenciador digital
Suspeito foi preso em São Gonçalo; grupo criminoso é investigado por roubo à casa de vereador em Niterói e por assaltos com violência a outras vítimas
Militar alegou que as tarefas de limpeza começaram após ele questionar uma licitação do quartel. Defesa sustenta que pedir formalização por escrito não configura crime
Segundo o MPT, foram 3.080 queixas durante a campanha. Listas de boicote a empresas viram alvo da Justiça
Conexão vai facilitar o atendimento às famílias e ampliar o acesso a serviços públicos, cursos e oportunidades de emprego
Festival acontece de 31 de outubro a 2 de novembro, com mais de 80 horas de programação. Entre os destaques está restaurante temático comandado pelo chef estrelado Michelin André Kawai
Mulher foi flagrada durante revista no Complexo de Gericinó; ação faz parte de operação que já resultou na apreensão de 1.700 celulares e mais de 37 quilos de drogas
Bilhete da Lotto Max foi comprado em Ontário em outubro de 2025; loteria ainda precisa confirmar se a pessoa que se apresentou é a legítima proprietária
Este quiz foi produzido pelo projeto Irineu, a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.