27/10/2026 04h00 Atualizado 27/10/2026 04h00
Espírito de reação era algo que o Flamengo precisava mostrar contra o Atlético-MG após a eliminação nas semifinais da Libertadores. Mas o time contou com mais sorte do que juízo para chegar à vitória por 3 a 2, ontem, no Maracanã. Aos 53 minutos do segundo tempo, um pênalti sofrido por Léo Pereira e convertido por Carrascal recolocou o rubro-negro na liderança do Brasileirão e dependendo apenas de si para deixar o Palmeiras para trás e faturar o título. Gonzalo Plata e Arrascaeta, pelo Fla, e Bernard e Renan Lodi, pelo Galo, marcaram os outros.
O rubro-negro foi salvo pelo gongo em um jogo em que a torcida resgatou a faixa “Brasileiro é obrigação” e vaiou o treinador Leonardo Jardim quando a escalação foi exibida no telão do estádio. A queda diante do Estudiantes nos pênaltis, semana passada, deixou marcas e, apesar de um primeiro tempo avassalador, a etapa final deu razão às críticas pela falta de inspiração coletiva. Arrascaeta foi o melhor em campo e fez até papel do técnico à beira do campo no fim.
De toda forma, o resultado levou o Flamengo aos 70 pontos, de volta à primeira posição, e empurrou o Palmeiras à vice-liderança, com 69. Faltam seis jogos para o fim do campeonato — o próximo é o clássico com o Vasco, quinta-feira.
Desde os primeiros minutos, a configuração da partida mostrou o rubro-negro dominando a bola no campo de ataque e o Atlético-MG pronto para o contra-ataque. Mas bastaram seis minutos para que o Flamengo se colocasse em uma enrascada. Em uma transição fulminante, Preciado apontou pela direita e cruzou rasteiro para Bernard bater no contrapé de Rossi.
A torcida aumentou o grito no mesmo instante, mas não ajudou a equipe Jardim a encontrar soluções fáceis. Pelo contrário: o técnico Eduardo Domínguez postou sua defesa com até seis jogadores na grande área, e os visitantes travavam todas as chegadas.
O rubro-negro respondeu com insistência, chutes de longe e muitas bolas cruzadas. Erick Pulgar e Léo Ortiz tiveram chances de cabeça após escanteio, e Pedro deu sequência a seu jejum prolongado, desperdiçando finalização inacreditável. Novamente, o centroavante deixou o campo no segundo tempo ouvindo reclamações da arquibancada.
O empate acabou vindo sem querer, com Plata cruzando pela direita e contando com a ajuda do goleiro Gabriel Delfim, que perdeu o tempo da bola após ela passar por toda a área e deixou-a entrar no cantinho.
Titular pela primeira vez desde a fratura no punho esquerdo, Arrascaeta mostrou que seu retorno precoce é muito necessário, já que tem o DNA decisivo como poucos no elenco. O uruguaio foi regente no meio-campo, tentando municiar todos os companheiros e, no fim das contas, encontrou a rede. Após tabela com Samuel Lino na entrada da área, infiltrou-se entre os defensores e virou o jogo.
No segundo tempo, uma desatenção na retaguarda devolveu o Flamengo ao inferno astral. Varela e Plata se desligaram da marcação de Renan Lodi, deixando o lateral sozinho para receber lançamento de Victor Hugo e bater cruzado de primeira. Rossi sequer se mexeu.
A partir daí, o rubro-negro estagnou. Para piorar, Jardim fez substituições que derrubaram o desempenho do time. Com a torcida fazendo pressão, o Fla e não venceria se o árbitro não tivesse marcado pênalti de Lodi em Léo Pereira — atrasado, o lateral tocou a chuteira do zagueiro. Carrascal assumiu a responsabilidade e bateu no cantinho para salvar a noite.
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