Ampliação de acordo isenta brasileiros de custo para publicar artigos em revistas da Nature

Pesquisadores brasileiros podem publicar sem custos, desde 1º de setembro deste ano, artigos científicos em revistas do portfólio Nature, um dos mais renomados do mundo.

Por Admin ·

Ampliação de acordo isenta brasileiros de custo para publicar artigos em revistas da Nature

A medida faz parte da ampliação de um acordo assinado entre a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão vinculado ao MEC (Ministério da Educação), e a editora Springer Nature no final do ano passado.

À época, a editora científica e o órgão brasileiro assinaram um acordo para permitir a leitura e a publicação em mais de 1.800 periódicos híbridos da editora com os valores de assinatura e de publicação integralmente custeados pela Capes. O acordo entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano e se estende até 31 de dezembro de 2028.

O custo total para os três anos de acordo foi de US$ 59,8 milhões, o equivalente a R$ 322 milhões, segundo a cotação do dia 23 de outubro de 2025, data da publicação no Diário Oficial.

A ampliação do portfólio, anunciada oficialmente nesta quarta (28), é atribuída ao sucesso do acordo com o Brasil, segundo Adiene Teixeira, diretora de vendas da Springer Nature para a América Latina e Caribe. "São periódicos altamente seletivos, nos quais são publicadas pesquisas de alto nível científico. A ampliação do acordo para esse portfólio cria novas oportunidades para que pesquisadores brasileiros elegíveis disponibilizem seus artigos em acesso aberto para leitores do mundo todo."

De acordo com Teixeira, mais de 4.000 artigos científicos foram publicados nos primeiros seis meses de vigência do acordo.

O portfólio Nature inclui as publicações Nature, Nature Medicine, Nature Communications, Nature Ecology & Evolution, entre outras. Para publicar nestas revistas em acesso aberto —isto é, quando o artigo se torna disponível para qualquer pessoa ler—, os autores tinham que arcar com os custos chamados de APCs (custos de processamento de artigo) que, no caso da Nature, chegam a US$ 12.850 (R$ 69 mil).

O novo anúncio lista 1.730 títulos dos selos Springer e Academic Journals nos quais é possível publicar em formato híbrido (sem o pagamento de APC). Também está previsto o acesso à leitura de 1.770 periódicos Springer, disponíveis na plataforma Nature.com . São contempladas 16 áreas de pesquisa, entre as quais ciências, tecnologia e medicina, bem como de ciências humanas e sociais.

Ainda de acordo com Teixeira, a ampliação do acordo não implica custo adicional à Capes. "A Springer Nature decidiu ampliar as oportunidades de publicação disponíveis no âmbito do acordo por considerar importante o apoio à comunidade científica brasileira e aumentar o impacto e a visibilidade potenciais das pesquisas de alta qualidade produzidas no Brasil."

Têm direito a publicar e a ler artigos da Springer Nature pesquisadores brasileiros de 435 instituições elegíveis que fazem parte do Portal de Periódicos Capes. Este serviço paga anualmente às editoras pelo acesso de leitura aos periódicos científicos nas universidades. Com os acordos, espera-se incentivar a publicação nestas revistas , reduzindo os valores que antes eram pagos por ano (um primeiro valor para publicar nos periódicos e um segundo para o acesso à leitura).

Segundo Teixeira, os pesquisadores brasileiros elegíveis agora terão a oportunidade de publicar os seus artigos em acesso aberto (opção Ouro de acesso aberto) ou no formato híbrido (podendo escolher entre a publicação tradicional, na qual é cobrada assinatura para leitura, ou com a disponibilização imediata do artigo individual em acesso aberto).

Em nota, o vice-presidente da Capes, Antonio Gomes Souza Filho, disse que o país desempenha um papel fundamental na colaboração científica regional. "O acordo de leitura e publicação com a Springer Nature era muito aguardado pela comunidade acadêmica desde a assinatura da carta de intenções, em dezembro de 2023. A ampliação do acordo para incluir periódicos Nature demonstra que estamos no caminho certo."

A Capes foi procurada para saber quantos pesquisadores brasileiros serão beneficiados com a medida e quais novos títulos foram incluídos na ampliação do acordo, mas não respondeu até a publicação deste texto.