Amasso de Lula muda o cenário das paixões políticas

Na vida e nas eleições —a experiência e a fábula de Esopo ensinam— não se deve contar com o ovo dentro da galinha. Ainda mais quando o adversário é Lula , um animal político de 80 anos e sete campanhas presidenciais.

Por Admin ·

Amasso de Lula muda o cenário das paixões políticas

Atordoado pela derrota no morno primeiro turno, Lula publicou no dia 7 de outubro um vídeo em formato selfie, talvez o primeiro que tenha feito como candidato. Muita gente riu do velhinho de voz rouca, sem jeito com a tecnologia, vestindo uma camisa social azul. Mas a mensagem, simples e que se mostraria infalível, estava lá: "Bora, gente, pra rua".

Foi usando as redes sociais e recuperando a participação popular nas ruas, dois terrenos em que o bolsonarismo levou vantagem nos últimos anos, que o petista conseguiu a histórica remontada de votos no segundo turno. O deputado federal André Janones —um grande personagem das eleições de 2026— criou no WhatsApp o canal "Exército do Lula", alcançando mais de 10 milhões de seguidores; o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, fez de tudo para tirá-lo do ar, sem conseguir.

Enquanto Flávio Bolsonaro exibia-se em cima das tamancas ("Acabou a era PT ") e perdia dois debates seguidos na televisão por soberba, deboche e decoreba de propostas, uma multidão de lulistas, a maioria jovens, lotou por duas vezes a avenida Paulista e a orla de Copacabana, uma maré que não se via desde a campanha das Diretas. O cenário das paixões políticas, sequestrado pela extrema direita, mudou de lado.

A rejeição ao filho 01 cresceu, conseguindo neutralizar o antipetismo de chegada. As taxas de abstenção e de votos inválidos sofreram uma queda recorde e atingiram os níveis mais baixos em 20 anos. As urnas, mais do que falar, gritaram: Lula saiu de uma desvantagem de 2,2 milhões de para uma vantagem de 4,4 milhões, uma virada de 6,6 milhões de votos na diferença entre os candidatos. Um amasso nacional (até na cidade do Rio, quem diria?).

Ao pedir a anulação das eleições, restou a Flávio Bolsonaro a imagem de golpista que ele tentou mascarar.