A mobilização começou depois que o músico recebeu relatos sobre aldeias sem recursos suficientes para levar seus moradores aos locais de votação. Segundo Alok, os problemas logísticos poderiam dificultar a participação dessas comunidades no processo eleitoral.
Em publicação nas redes sociais, na sexta-feira (23/10), ele explicou que estava disposto a assumir os custos das viagens. Diante do impedimento, pediu providências às autoridades responsáveis para que os eleitores indígenas não fiquem sem acesso às urna.
A situação ganhou um desdobramento importante: a Justiça Federal determinou que a União adote medidas para garantir o transporte gratuito de eleitores indígenas. A decisão tem alcance nacional e prevê diferentes meios de deslocamento, conforme as necessidades de cada comunidade.
A atuação de Alok trouxe visibilidade a uma dificuldade que vai além da distância entre as aldeias e as seções eleitorais. Para algumas comunidades, chegar ao local de votação depende de embarcações, veículos e recursos que nem sempre estão disponíveis.
Ao explicar por que tentou financiar as viagens, o artista destacou a importância de assegurar a participação dos povos originários nas decisões políticas do país.
“A democracia não começa na contagem dos votos, começa garantindo que todos possam chegar às urnas”, escreveu Alok em sua publicação .
O DJ mantém uma relação com comunidades indígenas também por meio da música. Em 2024, lançou o álbum O Futuro É Ancestral, desenvolvido em parceria com representantes de oito etnias indígenas brasileiras.
Antes da manifestação de Alok, a 5ª Vara da Justiça Federal no Pará já havia determinado, em 22 de outubro, que a União adotasse providências para assegurar o deslocamento dos eleitores indígenas no segundo turno.
A decisão, assinada pela juíza federal Maria Carolina Valente do Carmo, prevê transporte terrestre, fluvial e aéreo gratuito, conforme as necessidades identificadas. Também contempla apoio logístico às prefeituras, alimentação durante os deslocamentos e medidas de acessibilidade linguística.
Entre as possibilidades previstas estão o custeio de combustível, a disponibilização de embarcações e o ressarcimento de despesas assumidas pelas próprias comunidades, desde que atendidas as condições estabelecidas judicialmente.
A União recebeu prazo de 24 horas, contado a partir de sua intimação, para adotar as providências determinadas. Em caso de descumprimento injustificado, a decisão estabelece multa diária de R$ 1 milhão.
Embora a oferta de Alok não tenha se convertido em pagamento confirmado, sua manifestação deu visibilidade à dificuldade enfrentada pelas comunidades. Agora, a questão central é verificar se as medidas determinadas pela Justiça serão efetivamente executadas a tempo de permitir o deslocamento dos eleitores no domingo.
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