Janja é descrita por congressistas, ministros e auxiliares de Lula como a janela do petista para o mundo. Diante do apelo digital que o segundo turno da campanha teve sobre o presidente, que foi obrigado a aderir a vídeos selfies e à produção de conteúdo para as redes sociais, a primeira-dama será, muitas vezes, a responsável por auxiliá-lo na empreitada tecnológica .
Petistas entendem que a primeira-dama, até por ser militante do partido desde a década de 1980, tem um perfil engajado e, por isso, dificilmente se contentaria em manter a discrição. Para eles, Janja continuará defendendo causas de seu interesse e levando ao presidente temas que entram no radar da opinião pública .
Um exemplo é a atenção que o governo deu aos altos índices de feminicídio do país . O próprio Lula credita à primeira-dama as informações que o levaram a se engajar no combate à violência contra a mulher .
A ela também foram atribuídas as indicações de Anielle Franco e Margareth Menezes para os ministérios da Igualdade Racial e da Cultura, respectivamente, e a de Márcio Tavares para a secretaria-executiva da Cultura –ele assumiu a coordenadoria da área na campanha de Lula nestas eleições .
Auxiliares do presidente também alegaram que a insistência de Janja deu sobrevida a Ana Moser no Ministério do Esporte em 2023, mesmo quando já era certo que haveria uma troca na pasta para acomodar o deputado federal André Fufuca (PP-MA). Outra interferência direta creditada à primeira-dama foi o veto à indicação do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) como ministro do Turismo, ao final de 2022.
Embora aliados de esferas distintas reclamem da atuação da primeira-dama nos bastidores , um petista histórico disse à reportagem que não há nenhuma sinalização por parte de Lula de reduzir o papel dela em um novo governo.
O histórico da atuação de Janja no governo inclui momentos de protagonismo alternados com situações de retração, geralmente precedidas por críticas públicas .