Parte desses interlocutores avalia que, com a perda de protagonismo de Jair Bolsonaro ( PL ) e de seus filhos, Tarcísio não dependerá de aval para lançar-se daqui a quatro anos como representante da direita.
"O bolsonarismo veio para ficar como movimento político, mas perderá o protagonismo nas próximas eleições presidenciais, assim como o PT pós-Lula, que corre um grande risco de ver seu peso político diminuir exatamente como aconteceu com o PSDB", disse o vice-governador Felicio Ramuth ( MDB ).
Essa autonomia foi inviabilizada em 2026, quando Bolsonaro optou por indicar Flávio para a corrida presidencial. Na ocasião, o nome do governador era mais bem recebido pelo mercado financeiro, enquanto o senador tinha menor potencial para atrair outros partidos e o eleitorado da direita e do centro.
Reeleito em outubro, o governador deu nesta semana sinais que, na avaliação desses interlocutores, indicam disposição de arcar com o desgaste entre bolsonaristas. No dia em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou uma carta de teor golpista, o governador afirmou, em nota, que "o caminho é respeitar o resultado das urnas" e que "agora é preciso olhar para frente".
Depois, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, disse que uma candidatura nacional será consequência de "terminar bem" o segundo mandato.
Tais gestos colocaram Tarcísio na mira de bolsonaristas . O governador, porém, recebeu o respaldo da ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF), que o defendeu de ataques feitos por aliados de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Já o prefeito de São Paulo , Ricardo Nunes (MDB), aliado de Tarcísio e que se empenhou na candidatura de Flávio, procurou contemporizar. "A Michelle Bolsonaro afirmou que não tem nenhuma crítica do Jair Bolsonaro ao Tarcísio, só agradecimento e reconhecimento. Casos isolados são de pessoas que na verdade desejam manter engajamento nas suas redes", disse o prefeito.
Aliados de Tarcísio apostam no desgaste do bolsonarismo para lançar candidatura em 2030
Aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apostam no desgaste do bolsonarismo para pavimentar uma candidatura dele à Presidência da República.