No entanto, a estação televisiva que emitiu o debate entre os candidatos , na passada sexta-feira, sentiu a necessidade de instituir uma regra antideboche. Em Portugal, o nome da regra tem ainda mais graça porque, em português europeu, deboche significa devassidão sexual. Como é óbvio, quando soube da regra, assustei-me. Depois descobri que, no Brasil, deboche significa zombaria, gozação, desaforo.
Confesso que não fiquei menos preocupado. Quando as crianças são pequenas, é natural que a escola tenha regras antideboche. Depois, as crianças vão crescendo, ganhando maturidade, e a partir de certo ponto da escolaridade, já não precisamos impor normas deste tipo, porque já estão interiorizadas.
Que seja preciso voltar a ditar a mesma regra num debate presidencial não é uma boa notícia. Talvez em 2026 isso já não seja estranho, mas eu caminho para a velhice e por isso continua a ser bizarro para mim que candidatos à presidência de um país tenham de ser intimados a adotar um comportamento que respeite a decência mínima.
O problema é que a presença no debate é o ato de menor responsabilidade do qual o candidato vencedor participará nos próximos quatro anos. Se ele precisa ser controlado no debate, é insensato deixá-lo à solta durante o mandato.