Além da quantidade, variedade de vegetais também importa para a saúde

Mesmo quem segue a recomendação de consumir cinco porções de frutas e hortaliças por dia pode não estar ingerindo a quantidade de substâncias consideradas benéficas para a saúde do coração. É o que mostra um estudo publicado na revista Food

Por Admin ·

Além da quantidade, variedade de vegetais também importa para a saúde

Os pesquisadores investigaram se as recomendações atuais para uma alimentação saudável seriam suficientes para garantir a ingestão de cerca de 500 miligramas diários de flavonóis, que pertencem à família dos flavonoides, compostos bioativos naturalmente presentes em alimentos de origem vegetal. Eles ajudam a melhorar a função dos vasos sanguíneos, estimulam a produção de óxido nítrico (que promove a dilatação das artérias) e exercem ação antioxidante e anti-inflamatória.

A equipe avaliou os hábitos alimentares dos participantes e utilizou biomarcadores urinários capazes de estimar objetivamente o consumo desses compostos. Os resultados mostram que pessoas com uma alimentação de melhor qualidade e maior consumo de frutas e hortaliças realmente ingerem mais flavonóis. Ainda assim, menos de 25% dos que seguem as recomendações alimentares atingem a quantidade considerada benéfica para o coração.

Segundo os autores, isso acontece porque nem todas as frutas e hortaliças apresentam a mesma concentração desses compostos. "Embora ainda não existam recomendações oficiais para a ingestão diária de flavonóis, os estudos reforçam a importância de uma alimentação rica e diversificada em alimentos de origem vegetal", avalia a nutricionista Letícia do Vale Pires, do Einstein Hospital Israelita.

Entre as principais fontes de flavonóis estão chá-verde e chá-preto , cacau, maçã com casca, uvas (especialmente as roxas), pera e frutas vermelhas. também têm compostos, mas em concentrações menores.

O ideal é investir na variedade, alternando as frutas consumidas, manter a casca quando possível, incluir feijão e outras leguminosas (ervilha, grão-de-bico, lentilha, soja…) nas refeições e substituir bebidas açucaradas por chás sem açúcar. Outra dica é optar por chocolates com pelo menos 70% de cacau. "Não existe um único alimento milagroso. O que faz diferença é um padrão alimentar variado e equilibrado", ressalta Pires.

A forma de preparo também pode influenciar. Alimentos cozidos por tempo prolongado e o descarte da água utilizada no preparo podem reduzir parte dos compostos benéficos, assim como retirar a casca de frutas como a maçã, onde eles se concentram em maior quantidade. A recomendação é combinar preparações cruas e cozidas e manter uma alimentação rica em alimentos de origem vegetal.

Pessoas com maior risco cardiovascular, como indivíduos com hipertensão , diabetes , colesterol elevado, obesidade ou histórico familiar de doenças cardiovasculares, podem se beneficiar de uma alimentação rica em flavonoides. No entanto, esses alimentos não substituem o tratamento medicamentoso nem outras medidas recomendadas pelo médico. "Eles fazem parte de um conjunto de hábitos saudáveis que contribuem para a prevenção e o controle das doenças", alerta a nutricionista.

Como sugestão de cardápio, a especialista orienta que o café da manhã inclua, por exemplo, maçã com casca, aveia e uma xícara de chá-verde ou chá-preto. No lanche da manhã, a recomendação é apostar em uvas, frutas vermelhas ou outras frutas. No almoço, o prato deve incluir salada variada, legumes e feijão. À tarde, uma pequena porção de chocolate com pelo menos 70% de cacau pode complementar o lanche. Já no jantar, vale consumir salada colorida, legumes e uma fruta como sobremesa.

Apesar dos resultados promissores, não existem recomendações oficiais para a ingestão diária de flavonóis nem indicação para suplementação. A sugestão de consumir cinco porções de frutas e hortaliças por dia —quaisquer que sejam elas— continua válida.