O encontro foi solicitado por Flávio e ocorreu no aeroporto de Jundiaí. "Fomos apresentar nossas opiniões sobre a eleição, o Brasil, retomada do crescimento, a desinterdição do país, a questão da Amazônia e da Defesa Nacional, o problema de política externa", resumiu Aldo.
O ex-ministro, que foi pré-candidato à Presidência pelo DC e coordenador da campanha de Ronaldo Caiado (PSD), não quis dar mais detalhes da conversa. Disse apenas que Flávio ouviu, agradeceu a atenção, e afirmou que levará em conta as ideias dos convidados –ambos conhecidos por suas posições nacionalistas.
Aldo negou rumores de que tenha sido convidado para ocupar o ministério do Meio Ambiente em caso de vitória de Flávio, afirmando que não falaram sobre cargos no encontro. Apenas os três participaram da conversa, que durou cerca de uma hora.
Comunista histórico que nos últimos anos se aproximou da direita, Aldo foi presidente da Câmara dos Deputados e ministro da Coordenação Política do primeiro governo Lula e da Ciência e Tecnologia, da Defesa e do Esporte de Dilma. Mangabeira, professor da Universidade Harvard (EUA), foi ministro de Assuntos Estratégicos de Lula e Dilma.
Como mostrou a Folha , Aldo foi um dos influenciadores de uma inflexão nacionalista no discurso de Eduardo Bolsonaro quando este almejava concorrer à Presidência.
Outras pessoas estiveram no encontro com Flávio em Jundiaí, mas não na reunião reservada entre os três. Uma delas foi o professor de filosofia Gustavo Castañon, amigo de Ciro Gomes (PSDB) e que já foi assessor do ex-governador do Ceará em campanhas.
"Eles [Aldo e Mangabeira] queriam apoiar o Flávio, mas também ouvir dele compromissos sobre preocupações que têm com a soberania nacional. Então falaram sobre política externa e ameaça à soberania, pedindo esclarecimentos e compromissos dele, alguns dos quais ele já fez em público", relatou Castañon.
Indagado sobre o paradoxo de valorizar a soberania e apoiar um candidato tão alinhado ao governo Trump, o professor afirmou: "Nós já somos subordinados aos EUA. O governo Lula foi um governo do partido Democrata norte-americano até Biden perder a eleição. Não queremos ser subordinados nem aos Estados Unidos nem à China nem a ninguém. A gente quer um governo que cuide do interesse nacional".